|
OSTEOARTROSE
RINA DALVA NEUBARTH GIORG
Mestre
em Reumatologia pela Faculdade de Medicina da Universidade
de São Paulo.
Médica Chefe da Seção de Diagnóstico
e Terapêutica do Serviço de Reumatologia
do Hospital do Servidor Público Estadual de São
Paulo "Francisco Morato de Oliveira".
Presidenta da Sociedade Paulista de Reumatologia no
Biênio 2000-2001.
Aspectos
conceituais
Podemos
conceituar osteoartrose (OA) como uma síndrome
que compreende uma variedade de condições
clínicas distintas, com semelhante via final
patológica: diminuição do espaço
articular por causa da perda cartilaginosa na área
de maior suporte de carga.
Outras características seriam o espessamento
da placa ósseea subcondral (esclerose do osso
subcondral) e a presença dos osteófitos.
Há formas claramente relacionadas a alterações
morfológicas, estruturais e/ou funcionais e outras
que não permitem a identificação
dos fatores determinantes da doença; portanto,
há fatores etiológicos distintos e provavelmente
respostas terapêuticas também diferenciadas.
Podemos ainda considerar a OA como uma falência
da estrutura articular, dirigida na maioria das vezes
por fatores mecânicos. A expressão clínica
também pode ser distinta, uma vez que não
é incomum termos evidências radiográficas
de OA sem o paciente apresentar sinais e/ou sintomas,
constituindo uma ao muda ou quiescente.
A OMS considerou, em 1992, que a denominação
"doença articular degenerativa" deveria
ser abandonada, considerando ser o OA uma patologia
degradativa da cartilagem articular hialina.
Características
epidemiológicas
A
OA é considerada a mais importante patologia
reumática, sendo a primeira em freqüência
de aparecimento em nossos consultórios, pelo
fato de determinar forte impacto socio-conômico
ao gerar incapacidade funcional considerável.
Representa cerca de 30% a 40% das consultas em ambulatórios
especializados e é responsável por 75%
dos afastamentos ao traballho, sendo a quarta doença
a determinar aposentadoria (6,2% dos casos) no Brasil.
Nos Estados Unidos representa a Segunda causa de invalidez,
precedida apenas pelas doenças cardiovasculares.
Sua prevalência aumenta com a idade: é
pouco observada antes dos 40 anos, freqüente após
os 60; e, a partir dos 75 anos, 85% dos indivíduos
têm evidência radiológica e/ou clínica
da enfermidade.
Fatores
de risco
Idade:
a idade é o fator de risco mais consistente para
a OA, no estudo de Framingham a prevalência foi
de 30% entre 65 a 74 anos para OA sintomática.
Sexo:
ligeiramente mais freqüente no sexo feminino, particularmente
os nódulos de Heberden e Bouchard nas mãos
e a OA dos joelhos. Já a OA de quadril seria
um pouco mais freqüente no homem.
Obesidade:
estudos coorte têm demonstrado associação
clara, principalmente relacionada com a OA dos joelhos,
menor com a OA dos quadris e ainda controversa em relação
à OA das mãos.
Trauma
e estresse repetitivo articular: tanto os traumas ocasionados
por impacto como aqueles relacionados aos estresses
repetitivos por ocupações diversas contribuem
para o aparecimento de OA na articulação
afetada. Também os esportistas que suportam muito
impacto apresentam maior risco para o OA. No estudo
de Framingham em adultos idosos, foi demonstrada associação
longitudinal entre muita atividade física e aparecimento
incidental de OA dos joelhos. Meniscectomia prévia
também é um fator de risco para o OA do
joelho afetado.
Hipotrofia
muscular: existem trabalhos mostrando relação
entre hipotrofia e fraqueza muscular do quadríceps
e o desenvolvimento ou agravamento da OA do joelho.
Genética:
existem vários genes possíveis implicados
na OA, com uma herança poligênica, autossômica
dominante, porém ainda sem provas consistentes
de associações. As mutações
o COL2A1 são reconhecidas em algumas formas familiais
da doença. A OA de mãos, joelhos e quadris
parece ter componente genético em aproximadamente
60% dos casos. Doenças hereditárias que
apresentam defeito do colágeno (condrodisplasias)
levam ao aparecimento precoce da OA.
Densidade óssea: parece haver relação
inversa entre OA e osteoporose.
O aumento da massa óssea também pode estar
associado à obesidade.
Deficiência
de estrógeno: alguns trabalhos mostra que a deficiência
de estrógenos aumentaria o risco de OA.
As mulheres que fazem reposição hormonal
(TRH) desenvolveriam menos OA de quadril e joelho, porém
a TRH não melhoraria o quadro clínico
das OA sintomáticas. Estudos randomizados e de
longo prazo são necessários para constatar
essas afirmações.
Patofisiologia
da OA
Ainda
não se sabe ao certo quais os eventos que vão
deflagar o processo cartilaginoso.
Fisiologicamente, a cartilagem consiste de um tecido
viscoelástico, com propriedades de resistência
à compressão, composto por uma matriz
extracelular, com predomínio de colágeno
tipo II e, em menor presença, os colágenos
tipo XI e XI e proteoglicanos.
Em condições normais, esta matriz está
sujeita a um processo de remodelação constante,
em que os níveis de enzimas degradativas colagenases,
estromelisinas, gelatinases (metaloproteases - MMPs)
e de seus inibidores (TIMP-1 e TIMP-2 inibidor tecidual
das MMPs, æ-2 macroglobulinas) e ativadores (catepsina
B, ativador do plasminogênio) e a síntese
da matriz pelo condrócito estão balanceados.
Na OA vai existir um aumento das enzimas degradativas,
levando a um desbalanço que vai resultar em perda
e desarrajo do colágeno e dos proteorglicanos
da matriz. Neste processo temos ainda a participação
de citocinas pró-inflamatórias, como IL-1
e TNF-æ, sintetizadas pelo condrócitoe
responsáveis pelo aumento na produção
da MMPs e de seus ativadores e pelo controle dos inibidores
das MMPs (particularmente os TIMP).
No início do processo há uma tentativa
de reparação, há um aumento na
síntese de colágeno e de PGs, maior hidratação
da matriz, porém esta expansão se dá
à custa de PGs e fibras colágenas defeituosas.
A cartilagem evolui com fissuras e ulcerações
e diminuição de sua espessura. Há
modificações o osso subcondral com neovascularização
epifisária, intensa atividade osteoclástica/osteoblástica,
fissura óssea com formação de cistos
(geodes) e reação osteofitária
do osso subcondral adjacente. Os condrócitos
alterados secretam citocinas pró-inflamatórias
(IL-1, TNF-æ), radicais livres, óxido nítrico
em maior quantidade, levando à inflamação
sinovial e à manutenção do processo
inflamatório, além de maior degradação
cartilaginosa.
São elementos patológicos da osteoartrose:
.amolecimento, fibrilação, adegaçamento
da cartilagem;
.eburnificação do osso exposto;
.remodelação óssea;
.osteófitos;
.cistos subcondrais;
.sinovite;
.espessamento da cápsula articular;
.degeneração meniscal;
.atrofia da musculatura periarticular.
Uma
questão crítica seria se a OA é
uma doença ou conseqüência do envelhecimento,
porém várias diferenças são
descritas: maior quantidade de colágeno tipo
II desnaturado, diferença a menos no conteúdo
hídrico da matriz, menor quantidade de sulfato
de condroitina e queratansulfato e maior atividade das
enzimas degradativas na OA.
Classificação
da OA
A
tentativa de caracterização das diferentes
formas da OA, no sentido de estabelecer limites precisos
entre elas, levou à proposição
de inúmeras classificações com
base em diferentes e variados aspectos da doença.
A classificação quanto à localização
topográfica das articulações comprometidas
é prática e divide a OA em central ou
axial, que compreende a espondilosartrose em qualquer
segmento da coluna; e periférica, dividida em
OA nodal das mãos (nódulos de Heberden
e Bouchard), OA de outras articulações
dos membros superiores e OA das articulações
dos membros inferiores.
Existe uma outra classificação mais ampla,
na qual a OA é subdividida em uma forma primária
ou idiopática e uma forma secundária associada
a fatores bem determinados para desenvolvimento da OA.
Sinais
e sintomas da OA
A
OA tem uma característica distinta em relação
a outras doenças por permitir distinguir entre
a chamada "artrose muda", ou "osteoartrose
assintomática", da "artrose doença",
isto é, aquela que apresenta sintomas e que leva
o paciente em busca de tratamento. Não se sabe
ao certo por que existe esta diferenciação
e qual paciente e em que situação vai
se tornar sintomático.
O início clínico da ao é geralmente
insidioso. O curso é lento e progressivo na maioria
dos casos. Os primeiros sintomas podem ser uma rigidez
fugaz e transitória, dor incipiente, crepitação
articular discreta e/ou ligeira limitação
da mobilidade. Embora a sintomatologia articular seja
mais evidente de manhã, quando o paciente se
levanta, ou após períodos de inatividade,
ela melhora com o movimento da articulação
ou dos segmentos afetados é a chamada rigidez
e/ou dor protocinética.
Os locais de distribuição mais freqüente
da OA estão descritos. Na exploração
semiológica do paciente, vale lembrar que a osteoartrose
primária é a única doença
articular, com episódios inflamatórios,
sem repercussão sistêmica; portanto, os
pacientes devem apresentar bom estado geral.
Os
sintomas da osteoartrose são:
Dor
articular: é o sintoma predominante da OA, de
intensidade e duração variável.
Pode se restringir à articulação
acometida, ser segmentar ou manifestar-se a distância
(dor referida).
Tende a melhorar com o repouso, diferentemente da dor
predominantemente inflamatória. Pode ser referida
como "sensação de peso", "queimação",
"ferroadas" ou agulhamentos" e tem caráter
protocinético. Com o avanço do processo,
a dor pode se tornar crônica, com períodos
de surtos de piora que podem representar um processo
inflamatório superior associado com calor discreto
sobre a articulação e derrame articular.
A piora do sintoma doloroso e a inflamação
aguda podem estar associadas a trama ou a depósitos
de hidroxiapatita ou pirofostato de cálcio.
A origem da dor no paciente com OA tem múltiplos
fatores, uma vez que a cartilagem é um tecido
não inervado, podendo resultar de:
Rigidez
articular - por restrição do movimento,
é de curta duração, não
maior que 30 minutos.
"Parestesias"
- que se traduzem por desconforto articular, dormência,
"má circulação" dos membros
superiores ou inferiores.
São sinais encontrados no exame articular a crepitação
fina ou grosseira da articulação acometida,
a restrição do movimento com bloqueios
articulares, a deformidade da articulação
envolvida por edema e crescimento ósseo. Hipotrofia
da musculatura adjacente à articulação,
instabilidade e frouxidão ligamentar, alterações
tendíneas e dolorimento à palpação
da linha articular e das estruturas próximas
à articulação.
Com a evolução do processo artrósico,
nota-se uma falência da estrutura articular, com
disfunção e limitação dos
movimentos. Este agravamento do quadro gera ansiedade,
desconforto e insegurança para o paciente. O
diagnóstico da OA baseia-se na história
do paciente, no exame clínico das articulação
afetadas, sendo o estudo radiográfico da articulação
acometida o melhor método para o diagnóstico
definitivo. Quanto aos exames laboratorias, podem ser
de utilidade no diagnóstico diferencial com outras
doenças e nas osteoartroses secundárias.
Na OA espera-se encontrar as provas de atividade inflamatória
inespecífica do soro normais e, apesar de insistentes
pesquisas, ainda não se conseguiu um marcador
biológico no soro e/ou líquido sinovial
diagnóstico ou preditivo para o aparecimento
ou segumento evoltivo da OA.
O Colégio Americano de Reumatologia (ACR) criou
critérios de classificação e diagnóstico
para OA do joelho, quadrial e mão, que podem
ser encontrados no site: www.rhematology.org.
Exame
radiológico das articulações
Na
prática clínica, a radiografia simples
e convencional é o exame de escolha no diagnóstico
da OA: facilmente acessível e pouco onerosa,
permite o diagnóstico na grande maioria dos casos.
Nos estágios iniciais da doença, os raios
X podem ser normais, porém, assim que vai existindo
perda da estrutura normal da cartilagem, uma diminuição
do espaço entre as interlinhas articulares vai
sendo notada. Interessante é que não existe
uma medida determinada como normal para esses espaços,
sendo a experiência do médico importante
nesta avaliação. Porém, no seguimento
evolutivo da OA, a comparação da medida
inicial e das subseqüêntes são de
importância no seguimento.
Outras características que vão sendo encontradas
são:
.esclerose do osso subcondral;
.cistos subcondrais;
.osteófitos marginais do osso;
.nos joelhos, uma das características precoces
da OA é hipertrofia com afilamento das iminências
intercondilianas da tíbia.
Existe uma disparidade entre a severidade dos achados
radiográficos e a severidade dos sintomas ou
da disfunção da articulação
acometida. Este fato é mais comumente observado
nas espondiloartroses, em que não é incomum
encontrarmos vários e extensos osteófitos,
diminuição e esclerose intervertebral
sem nenhuma queixa clínica.
Os critérios radiológicos mais comumente
utilizados para graduação dos achados
na OA são os de Kellgren e Lawrence, e medem
a gravidade na evolução da doença.
A utilização de métodos diagnósticos,
como a tomografia computadorizada e/ou ressonância
magnética, é considerada conduta de exploração
diagnóstica nos casos em que há suspeita
clínica de outras lesões meniscais e ligamentares,
sinovites persistentes, em alguns protocolos clínicos
para medida da cartilagem articular.
Artroscopia
diagnóstica: exame preciso em caso de traumas
e lesões cartilaginosas circunscritas, principalmente
em desportistas jovens. Técnica mais agressiva,
também pode ajudar no diagnóstico de lesões
de estruturas intra-articulares, no seguimento evolutivo
em protocolos e como método terapêutico
associado.
Diagnóstico
diferencial
Se
o paciente tem a apresentação clínica
e achados radiográficos compatíveis e
descritos anteriormente, fica difícil confundir
com outras entidades clínicas. Entretanto, devemos
considerar ser a dor periarticular ao exame proveniente
de bursites, tendinopatias ou entesopatias, e até
mesmo periostites. Se a distribuição da
dor incluir metacarpo falangeano, punhos, cotovelos,
ombros e tornozelos, é possível não
ser OA. Rigidez prolongada acima de uma hora lembra
os quadros inflamatórios iniciais, como artite
reumatóide ou espondiloartropatias.
Em caso de edema, calor e eritema sobre a articulação
afetada, deve ser investigado quadro de artropatia microcristalina
ou séptica superajuntada. Manifestações
sistêmicas como febre, fadiga, perda de peso sugerem
doença sistêmica como polimialgia reumática,
manifestação paraneoplásica, artrite
reumatóide inicial etc...
Seguimento
evolutivo e prognóstico
É
difícil prever qual paciente irá apresentar
um pior prognóstico, porém índices
de seguimento evolutivo, como o criado por Lequesne
para OA de quadril e joelho, são importantes
no seguimento evoluivo. Na OA de joelho alguns fatores
parecerem estar associados com progressão do
quadro: idade, sexo feminino, obesidade, nódulos
de Heberden concomitantes. Alterações
mecânicas congênitas, como displasias do
quadril, genu valgo ou varo, sãofatores determinantes
para o aparecimento da OA. Hipotrofias musculares, presença
de doenças por depósito de cristal e hipermobilidade
articular são fatores agravantes. Quadros depressivos,
fatores psicossociais, indívíduos divorciados
contribuem para um aumento das queixas clínicas.
Tratamento
da OA
Por
ser uma doença multifatorial, com etiologia ainda
não totalmente esclarecida, em que para alguns
indivíduos predomina a suscetibilidade genética
e para outros é nítida a disfunção
mecânica no desencadear da OA, as medidas terapêuticas
devem ser individualizadas. Apesar do grande avanço
nos mecanismos etiopatogênicos, patológicos
e genéticos, ainda estamos longe da cura. Porém,
nas últimas décadas, ficou estabelecido
que a introdução precoce de uma terapêutica
adequada ao diagnosticar a OA pode levar a um melhor
qualidade de vida para o paciente, bem como retardar
a evolução para uma incapacidade funcional
articular definitiva. Portanto, já se foi a época
em que um paciente com osteoartrose chegava em nossos
consultórios e lhe era informado que a OA era
uma doença crônica, que nada tinhamos a
fazer para minorá-la. A queixa de dor articular
e/ou periarticular é o que leva um paciente portador
de OA a procurar atendimento médico. Portanto,
do ponto de vista epidemiológico e de aconselhamento
preventivo, aqueles com OA silenciosa ordem permanecer
sem tratamento.
Fatores individualizados como personalidade e afetividade,
aspirações ocupacionais e de lazer, nível
socioeconômico e co-morbidades devem ser levados
em conta na planificação terapêutica,
bem como em relação ao componente articular:
número de articulações envolvidas,
grau de dano articular e periarticular, inflamação,
restrição ao movimento e incapacidade.
Os principais objetivos no tratamento da OA são:
.controle da dor;
.otimização da função;
.redução da incapacidade.
Para atingirmos estes objetivos é fundamental
a educação e orientação
do paciente e de seus familiares sobre a doença
e a prescrição de medidas terapêuticas
individualizadas para cada caso.
Tratamento
sintomático medicamentoso
Fármacos sintomáticos de ação
rápida
Para
aliviar a dor existente na osteoartrose, lançamos
mão dos analgésicos não-narcóticos
e às vezes dos narcóticos, dos antiinflamatórios
não-hormonais (AINHs), de medicações
moduladoras da dor, como os antidepressivos, e dos corticosteróides.
Contribuem basicamente com seus efeitos analgésicos
e antiinflamatórios de ação rápida
sobre a dor, o edema, o calor e o derrame articular
de pequena monta quando presentes, além de melhorarem
a função articular.
Analgésicos
não-narcóticos: apresentam eficácia
comparável aos AINHs nos grandes estudos coortes
e são as medicações de primeira
escolha no controle da dor. A escolha do acetaminógeno
(paracetamol) como a medicação mais estudada
em OA está relacionada à sua boa tolerância
e aceitação pelo paciente, boa relação
custo-efetividade e um mínimo de efeitos colaterais.
Em altas doses (acima de 4g/dia continuadamente) pode
levar à hepatotoxicidade e/ou à nefrite
intersticial crônica. A via de metabolização
é a do citocromo P-450, que pode, em associação
com outros medicamentos ou o uso de bebida alcoólica,
contribuir para estes efeitos.
Analgésicos
narcóticos: utilizados em dor moderada à
intensa e no controle dor moderada à intensa
e no controle de dor crônica, como as existentes
na OA de quadril. Em nosso meio podemos indicar o tramadol
(dose de 50 a 100 mg/dia), o propoxifeno, a oxicodona
(doses de 10 a 20 mg/dia) e a codeína (doses
até 60 mg/dia). Lembrar que a maioria dos pacientes
com OA é de idosos e estes podem apresentar efeitos
indesejáveis com tais medicações,
incluindo náuseas e vômitos, tontura, sonolência,
constipação intestinal, supressão
respiratória e risco de dependência, se
bem que mínimos nestas doses.
Antiinflamatórios
não-hormonais: são talvez as medicações
mais prescritas em nosso meio no controle da dor e dos
fenômenos inflamatórios da OA. Em alguns
trabalhos mostraram-se mais efetivos no controle desses
parâmetros que os analgésicos simples.
São utilizados em larga escala pelo paciente
com OA e quase sempre sem prescrição ou
seguimento médico. Os diversos AINHs existentes
no mercado possuem eficácia relativamente equivalente
e mostram em estudos controlados que são superiores
ao placebo. Os estudos comparativos entre os agente
inibidores, principalmente da ciclooxigenase 1 (COX-1),
na via do ácido aracdônico, contra os seletivos
ou específicos para a inibição
da cicclooxigenase 2 (COX-2), mostraram igual eficácia
no controole da dor da OA, com vantagem para os inibidores
de COX-2 em relação à prevenção
dos eventos adversos gastrintestinais relcionados ao
uso dos AINHs e pouca ou nenhuma interferência
na função plaquetária.
Hoje, na condução terapêutica da
OA, damos preferência à utilização
dos AINNHs por períodos de tempo mais curtos,
enquanto persistirem dor e/ou sinais inflamatórios,
isto é, por um período não maior
que três meses.
Alguns dos efeitos colaterais dos AINHs incluem dispepsia,
dor epigástrica, dor abdominal, úlcera
péptica, sangramento digestivos, obstipação
intestinal ou diarréia, elevação
das enzimas hepáticas, colestase, retenção
hídrica, insuficiência renal, nefrite intersticial,
neutropenia, trombocitopenia, aplasia série vermelha,
quadros alérgicos cutâneos, broncoespasmo,
cefaléia e tontura.
Antidepressivos:
utilizados na modulação da dor crônica
ou no controle dos quadros depressivos associados ao
processo da OA.
Corticosteróides:
não existem trabalhos na literatura indicando
os corticosteróides, mesmo em doses baixas, na
OA. Em nossa experiência temos utilizado em pacientes
com quadro infalmatório articular e que apresentem
contra-indicações para o uso dos AINNHs,
em doses baixas e por curto espaço de tempo.
Outras
possibilidades terapêuticas
AINHs
tópicos: podemos recorrer ao uso de formulações
tópicas de AINHs, como auxílio na terapêutica
ou nos pacientes com contra-indicação
para o uso oral ou injetável. Apresentam grande
Aceitação pelos pacientes e são
encontrados em forma de cremes, gel, emplastros ou patches.
Uma revisão sistemática publicada no British
Medical Journal, em 1998, mostrou que o uso tópico
de AINNHs foi eficaz na melhora dos sintomas articulares
e musculares.
Capsaicina:
em forma de creme, com indicação para
dor da OA. Trata-se de um composto à de capsaicina,
substância encontrada na pimenta malagueta, com
a propriedada de depletar reversivelmente a substância
P, nos terminais sensitivos neuronais, diminuindo a
transmissão dos estímulos dolorosos da
periferia para o sistema nervoso central.
Colchicina:
pode estar indicada na melhora da dor; nos casos de
OA associada à presença de depósitos
de cristais (monourato, pirofosfato de cálcio
etc...) e também da inflamação.
Terapêutica
intra-articular: nas dores agudas ou persistentes, principalmente
na articulação do joelho e na articulação
trapézio-metacarpiana do primeiro quirodáctilo
(rizartrose), a infiltração com corticosteróides
tem sido benéfica para os pacientes, com rápido
alívio dos sintomas e melhora da função
articular. Está indicada, ainda, para pacientes
que não respondem a outros tratamentos analgésicos
e tenham contra-indicação a estes.
Fármacos
sintomáticos de ação lenta ou talvez
modificadores da OA
O
desenvolvimento de medicamentos que apresentavam ação
mais lenta sobre a dor, porém mais prolongada,
e que em estudos diversos in vitro e in vivo eram responsáveis
por efeitos "condroprotetores" sobre condrócitos
e componentes da matriz cartilagionosa levou um comitê
de especialistas da OMS/ILAR (Liga Internacional contra
o Reumatismo), em 1993, a criar o termo SYSASOA (symptomatic
slow acting drugs for treatment of osteoarthritis).
Porém, o objetivo na planificação
terapêutica da OA seriam fármacos que comprovadamente
fossem "condroprotetores" e de alguma maneira
se comportassem como drogas modificadoras da doença
osteoartrítica (DMOAD - disease modifying osteoartbritis
drugs) a longo prazo e exercessem um papel preventivo
na evolução da ao.
As pesquisas básicas in vitro e em modelos animais
in vivo têm demonstrado o papel de DMOAD em diferentes
fármacos, porém, para fins práticos,
ainda necessitam estudos clínicos consistentes,
bem conduzidos, com seguimento prolongado e metodologia
reproduzível para mostrar esses efeitos em humanos.
Portanto, preferimos, por ora, denominá-los fármacos
sintomáticos de ação lenta, isto
é, que induzem a diminuição lenta
de sintomas e que esta ação persista por
certo tempo após a descontinuação
do tratamento, incluindo as seguintes medicações:
sulfato de glicosamina, sulfato de condroitina, diacereína,
insaponificáveis da soja e do abacate (ISA) e
o ácido hialurônico, aprovados e comercializados
em nosso meio e na Europa para o tratamento da OA.
Sulfato
de glicosamina e de condroitina
Glicosamina
é uma aminomonosacarídeo, componente presente
em praticamente todos os tecidos humanos, inclusive
na cartlagem. É o principal componente dos glicosaminoglicanos
ligados ao O e N terminais e que formam a matriz dos
tecidos conectivos. Tem baixo peso molecular e é
um sal sulfatado da glicosamina. Estudos experimentais
demonstraram diversas atividades metabólicas
e antiinflamatórias, como:
.aumento
na síntese de proteoglicanos (PGs);
.alteração na expressão gênica
de condrócitos humanos;
.aumento na síntese de colágeno tipo II
em condrócitos fetais;
.diminuição na geração de
radicais superóxidos pelo macrófago;
.inibição de enzimas lisossomiais, estabilização
da membrana celular do PGs sintetizados.
Na
OA, é responsável pela melhora da dor
e da função articular em diversos estudos
recentes, bem conduzidos, rancomizados e controlados
com placebo.
O controle radiológico no seguimento por três
anos mostrou nesses trabalhos que os pacientes que utilizaram
a glicosamina tiveram redução na perda
do espaço articular. Estes estudos têm
sua bibliografia detalhada na leitura recomendada.
Já o sulfato de condroitina ocorre naturalmente
na cartilagem humana, osso, córnea, pele e parede
das artérias. Preparações com a
condroitina são derivadas de cartilagem bovina
e de vitelo. O sulfato de condroitina tem absorção
intestinal mínima (em torno de 10%) em comparação
à glicosamina, que é 90% absorvida.
Os trabalhos com a condroitina também demonstraram
melhora da dor e da função articular e
foi testada em estudos clínicos em OA de joelho,
quadril e nodal em mãos. Assim como a glicosamina,
a condroitina também apresenta efeitos sustentados
de melhora clínica em até três meses
ou mais após a suspensão da droga.
Poucos estudos avaliaram os efeitos condroprotetores
da condroitina, porém existe um estudo interessante
em OA nodal mostrando que o grupo que utilizava a condroooitina
apresentou número reduzido de novas erosões
aos raios X em relação aos que tomaram
placebo.
A combinação dos sulfatos de glicosamina
e condroitina tem um racional para ser utilizada em
associação e potencializar suas ações
e seus benefícios no controle sintomático
da OA e talvez como condroproteção porém
ainda são necessários estudos mais consistentes,
como o atualmente em curso e patrocinado pelo NIH (Instituto
Nacional de Saúde) americano, no qual estão
sendo estudadas as formulações de glicosamina
e condroitina juntas, separadamente, contra placebo
e contra AINHs.
As doses recomendadas são:
.sulfato de glicosamina - dose diária de 1.500
mg, por 4 a 6 meses;
.sulfato de condroitina - dose diária de 1.200
mg, de preferência fracionada, por 4 a 6 meses.
De
maneira geral, são formulações
bem toleradas no uso oral, com mínimos efeitos
colaterais descritos, incluindo náuseas, diarréias,
rash cutâneo e cefaléia.
Diacereína
É
um lipídio solúvel cujo metabólito
ativo é a reina que ocorre por acetilação
da carboxiantroquinona. Suas principais ações
in vitro são: capacidade e suprimir a síntese
de citocinas pró-inflamatórias, como IL-1
e TNF-æ.
Em estudos controlados, a diacereína demonstrou
efeito superior ao placebo no controle da dor articular
na OA.
A dose recomendada é de 100 mg, dividida em duas
tomadas, via oral.
Seu principal efeito colateral é o aparecimento
de cólicas abdominais e diarréia, que
às vezes levam o paciente a abandonar o tratamento.
Insaponificáveis
da soja e do abacate (IAS)
O
extrato de insaponificáveis da soja e do abacate
é obtido por um processo de destilação
molecular que envolve uma série de etapas. Ainda
não se sabe qual substância tem ação
de fato.
O efeito dos IAS vem sendo estudado in vitro e em vivo
e demonstrou: inibição da Il-1, inibição
da síntese de metaloproteases, estímulo
à síntese de colágeno e PGs e do
fator de crescimento TGF-ß.
Ação e efeicácia dos IAS foi avaliada
em dois estudos multicêntricos, duploscegos, randomizados
e controlados por placebo em pacientes com OA dos membros
inferiores. Os resultados a médio prazo foram
favoráveis ao grupo que utilizaou os IAS. A dose
recomerdada é de 1 cápsula de 300 mg por
dia, por 4 a 6 meses. As reações adversas
são mínimas com esse fármaco.
Ácido
hialurônico
Formulação
para ser utilizada por via intra-arrticular. Tem como
indicação a melhora da dor na OA e a propriedade
de recuperar a reologia do líquido sinovial.
As preparações de ácido hialurônico
com peso melecular próximo ao fisiológico
(baixo peso molecular) têm sido amplamente estudadas
como possíveis modificadoras da doença
osteoartrítica por ação antiinflamatória
local: atuando em radicais livres de O2, reduzindo a
síntese de protaglandinas E, (PGE) e inibindo
a quimiotaxia leucocitária. Elas podem ainda
apresentar efeito reparador na síntese de PGs
e na inibição das metaloproteases. Os
compostos de alto peso molecular se propõem a
restaurar a vicossuplementação.
No Brasil temos três preparados de ácido
hialurônico, não existindo estudos que
mostrem a superioridade de um sob re o outro:
.dois preparados com hialuronato de sódio de
características diferentes, com peso melecular
similar ao fisiológico, para uso em cinco aplicações
intra-articulares, com intervalo semanal - em quadril,
ombro, joelho a articulação trapézio-metacarpiana;
.Hilano GF 20 - com alto peso molecular, para uso em
três aplicações com intervalo semanal,
é indicado para OA do joelho.
Intervenções
não-farmacológicas
Para
melhores resultados no tratamento da OA, a orientação
do paciente e de seus familiares é um item de
extrema importância. O acesso do paciente ao médico
ou pessoal de apoio (nutricionistas, fisioterapeutas,
terapeuta ocupacional) torna o paciente mais otimista
em relação ao resultado do tratamento
e, por conseguinte, mais bem cuidado.
Nos casos progressivos de OA, as deformidades provocadas
pela doença e a própria idade tormam-se
fatores limitantes no cotidiano e também interferem
nos prazeres da vida, provocando desapontamento para
o paciente, diminuição da auto-estima
e até depressão e isolamento social. Essa
atitude deve ser trabalha e o paciente deve ser informado
de que o tratamento, quando realizado de maneira constante
e disciplinada, pode melhorar suas limitações
e a qualidade de vida.
São medidas de ordem geral importantes para o
paciente com OA:
.evitar ficar na mesma posição (em pé
ou sentado) por muito tempo;
.usar calçados adequados para absorver o impacto
da marcha e que ofereçam segurança no
andar para aqueles com OA dos membros inferiores;
.evitar subir e descer escadas em excesso;
.adequar as atividades diárias à sua capacidade
funcional;
.corrigir defeitos posturais;
.repouso das articulações comprometidas
- alternando afazeres com descanso;
.a marcha deve ser sustentada por bengalas ou suportes
como os andadores (principalmente nos casos avançados
de OA do joelho e quadril) até a melhora da dor,
com o intuito de dividir a carga sobre as articulações
afetadas;
.nos pacientes obesos, é imperativo a perda de
peso. Nos outros pacientes, orientar par que, com a
vida mais sedentária, não venham a ganhar
peso;
.nos casos leves a moderados de OA, deve ser encorajada
u,ma atividade física aeróbica de baixo
impacto, como a natação ou a hidroginástica.
O exercício em bicicletas, bem orientado, com
fortalecimento da musculatura do quadríceps,
mostra bons resultados na OA do joelho. Os exercícios
são também importantes no condicionamento
cardiovascular global do paiente;
.utilizar órteses de repouso articular e posicionamento,
principalmente nos casos de rizartrose.
.nos casos graves de OA do joelho, órteses de
contenção e descarga também podem
dar alívio para os pacientes.
Terapia
física e reabilitação
A
melhora da capacidade funcional articular, com medidas
de reabilitação individualizadas, visa
ao alívio da dor e do espasmo muscular, a manutenção
ou correção da amplitude do movimento
articular e a recuperação ou prevenção
das atrofias musculares.
As modalidades terapêuticas utilizadas pela medicina
física com este propósito são:
.termoterapia - importante no alívio dos espasmos
musculares e na dor (calor superficial ou profundo);
.crioterapia - indicada nos casos de OA que cursam com
nítido processo inflamatório;
.estimulação elétrica nervosa transcutânea
(TENS) - liberaria através da estimulação
opióides endógenos com ação
analgésica;
.banhos de contraste (quente e frio) produzem grande
alívio da dor e melhora circulatória na
OA nodal das mãos;
.exercícios terapêuticos (cinesioterapia)
- exercícios isométricos para fortalecimento
dos grupos musculares, isotônicos e exercícios
de alongamento estático, que se caracteriza pelo
alongamento passivo da musculatura antagonista por um
certo período de tempo.
Terapias
alternativas
Acupuntura:
considerada efetiva no controle da dor da OA. Em um
trabalho publicado no Rheumatology, em 1999, os autores
demonstraram que sessões duas vezes por semana
em pacientes com OA do joelho, por oito semanas, foram
efetivas, com redução da dor e da incapacidade
funcional, perdurando, após o término,
por mais quatro semanas.
Fitoterapia:
a Boswellia serrata em combinação com
outras ervas (Withania, Curcuma e complexo com zinco)
mostrou resultados controversos em dois estudos randomizados.
A utilização da raiz de gengibre também
é controversa, apesar de em modelos animais inibir
tanto a via da ciclooxigenase como da lipooxigenase,
e o edema da pata do rato induzido pela carreginina.
Intervenções
cirúrgicas
As indicações cirúrgicas na OA
têm papel importante e são reconhecidas
em diversas etapas do tratamento.
As osteotomias corretivas, quando indicadas na fase
inicial de uma OA do joelho, que apresente deformidade
em valgo ou varo, têm caráter preventivo
na evolução para um quadro de OA avançada.
As cirurgias artroscópicas, com desbridamento
e retirada de corpos livres (restos cartilaginosos e
de meniscos) e "shaving sinovial", principalmente
do compartimento anterior do joelho, proporcionam grande
melhora clínica para o paciente.
Porém, são as artroplastias - principalmente
do quadril e do joelho - que vão gerar um grande
benefício, nos casos em que as medidas terapêuticas
instituídas não beneficiam mais o paciente.
A seguir, relacionamos as indicações a
serem consideradas em pacientes com OA do joelho e do
quadril:
.dor persistente, apesar dos tratamentos;
.perda crítica do movimento articular;
.perda da função e da qualidade de vida;
.vontade do paciente em fazer a cirurgia;
.alterações biomecânicas compensatórias
na articulação com OA e nas adjacentes.
Os resultados dessas artroplastias têm sido excelentes
no geral, quando bem indicadas e realizadas por ortopedista
experiente. O preparo no pré-operatório,
com prevenção de tromboembolismo e antibioticoterapia
profilática, tem sido de vital importância.
A recuperação total se dá em até
três meses.
A duração das próteses tem sido
cada vez mais longa, principalmente as de quadril, com
vida média de 10 a 15 anos.
As complicações principais são
a perda da prótese, as infecções
recentes ou tardias, o deslocamento ou luxação
da prótese, a fratura do osso adjacente e o desgaste
dos componentes da prótese.
As contra-indicações para esta cirurgia
são: suporte ósseo e muscular inadequado,
fatores de risco clínicos que aumentem o risco
anestésico, infecção disseminada.
A idade avançada não é obstáculo,
porém os riscos podem aumentar com a idade.
Leituras
recomendadas
.Brandt
KD. Diagnosis and Nonsurgical Management of Osteoarthritis.
Professional Communications, Inc. 3nd ed., 2003
.American
College of Rheumatology Subcommitte on Osteoarthritis
Guidelines. Recommendations for the medical management
of osteoarthritis of the hip and knee. Arthritis Rheum
43: 1905-15, 2000.
.Eular
Recommendations for the Management of Knee Osteoarthritis:
Report of the Standing Committee for International Clinical
Studies Including Therapeutic Trial (ESCISIT). Ann Rheum
Dis 59(12): 936-44, 2000.
.Consenso
da Sociedade Brasileira de Reumatologia para o Tratamento
da Osteoartrose. Coimbra IB, Pastor EH (Coor.). Rev.
Bras. Reumatologia, 2003.
.Eccles
M, Freemantle N, Mason J. For the North of England Nonteroida/
Antiinflamatory Drug Guideline Development Group. North
of England Evidence Based Guideline Development Project:
Summary guideline for non-steroidal anti-inflamatoruy
drugs versus basic analgesia in teating the pain of
degenerative arthritis. BMJ 317: 526-30, 1998.
Bruyere
O, Honore A et al. Correlation between radiographic
severity of knee osteoarthritis and future disease progression.
Results from a 3 year prospective, placebo controlled
study evaluating the effect of glucosamine sulfate.
Osteoarthritis & Cartilage 1:1-5, 2003.
.Reginster
J, Deroisy R, Rovati L et al. Long-term effects of glucosamine
suphate on osteoarthritis progression: a randomized,
placebo-controled clinical trial. Lancer 357: 251-6,
2001.
.Pavelka
K, Gatterova J et al. Glucosamine sulphate use and delay
of pregression of knee osteoarthritis: a 3 year, randomized,
placebo controlled, double-blind study. Arch Intern
Med 162: 2114-23,2002.
.Uebellhart
D, Thonar E et al. Chondroitin 4 and 6 sulphate: A symptomatic
slow-actingdrug for osteoarthritis does also have structural
modififying properties. Osteoarthritis & Cartilage
5:70, 1997.
.Verbruggen
G, Goemaeere S, Veys EM Chondroitin sulfate s/DMOAD
in the treatment of OA of the finger joints. Osteoarthritis
& Cartilage 5:70;1997.
.McAlindon
TF, La Valley MP, Gulin JP, Felson DT. Glucosamine and
chondroitin for tratment of ostearthritis: a systematic
quality assessment and meta-analysis. JAMA 2883:1469-75,2000.
|