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Lambotte O, Khellaf M Harmouche H, et al: Characteristics and long-term
outcome of 15 episodes of systemic lupus erythematosus-associated
hemophagocytic syndrome (Características e seguimento evolutivo de 15
episódios de síndrome hemofagocítica associada ao lupus eritematoso
sistêmico). Medicine 85:169-182; 2006.
A síndrome hemofagocítica reativa (SH) é caracterizada pela infiltração
de hemofagocíticos histiócitos morfologicamente benignos na medula óssea
e em vários órgãos, incluindo nódulos linfáticos, fígado e baço. Ocorre
principalmente associada à quadros infecciosos severos, linfomas,
doenças auto-imunes e reacional à medicações. Pode ocorrer no curso de 2
doenças sistêmicas, sem infecção simultânea: Doença de Still do adulto e
lúpus eritematoso sistêmico (LES). Existem poucos relatos na literatura
referentes à SH associada ao LES (SH-LES). Os autores deste artigo
estudaram retrospectivamente 15 episódios de SH-LES em 12 pacientes (10
mulheres e 2 homens), com média de idade 25 anos. Todos os pacientes
apresentavam febre com 2 ou mais citopenias e o aspirado de medula
indicava hemofagocitose. SH definiu-se como LES em 9 pacientes e
recorreu em 3 pacientes. Os principais aspectos de SH-LES mostraram
baixa freqüência de hepatoesplenomegalia, envolvimento cardíaco
freqüente (5 pericardite e 4 miocardite) e baixo nível de proteína C
reativa. Sintomas mucocutâneos de LES, artrites e nefrites eram
presentes respectivamente em 8 (53%), 6(40%) e 4 (27%) episódios.
Sintomas/sinais de LES foram ausentes em 4 episódios na admissão.
Todos
ao pacientes apresentavam FAN positivo. Anti-DNA foi positivo em 12
episódios. O tratamento com corticosteróides foi realizado em todos os
pacientes e a associação de ciclofosfamida foi necessária para controle
da SH em 2 pacientes. Gamaglobulina intravenosa mostrou-se pouco eficaz.
Nenhum agente infeccioso foi identificado.
O seguimento destes pacientes teve média de 88 meses (variação de 7-240
meses). Um paciente morreu com 15 meses de evolução (sepse). Entre os 5
pacientes com tempo de doença maior que 8 anos, 4 permaneceram com
doença ativa. Durante o seguimento do LES, imunossupressores foram
adicionados em 8 pacientes (ciclofosfamida em 7, azatioprina em 3 e
micofenolato de mofetila em 2) com significativo efeitos adversos. Em
conclusão, SH-LES define uma severa forma de LES com reativação da
doença freqüente, com recorrência de SH e necessidade de imunossupressão
prolongada.
(Dra. Nafice Costa Araújo – Médica assistente e responsável pelo
Ambulatório de Reumatologia do Serviço de Reumatologia do HSPE-“FMO”)
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