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Baker BK, Sundaram M, Awwad EE. Case report 688. Fractures of the spinous processes of multiple thoracic vertebrae. Skeletal Radiol. 1991; 20:463-464.
Relato de caso
Um homem de 58 anos de idade foi levado ao departamento de emergência com histórico de atropelamento por um automóvel Ele caiu de costas sobre o capô do carro. Queixava-se de dor nas costas, que piorava em decúbito dorsal; ele também relatou dor em sua coxa esquerda. O exame físico revelou sensibilidade ao toque nos processos espinhosos ao longo da maior parte da coluna vertebral torácica que foi acompanhada por crepitação e espasmo muscular paravertebral. O paciente não apresentava nenhum déficit neurológico motor ou sensitivo. Havia contusão de partes moles em sua coxa esquerda.
Foram feitas radiografias ântero-posteriores (AP) de toda a coluna vertebral, as quais foram insignificantes em relação a patologias ósseas. Incidências laterais não conseguiram mostrar os processos espinhosos na região torácica. Tomografias computadorizadas de todas as vértebras torácicas revelaram fraturas de processos espinhosos em todos os níveis, de T5 a T10 . Não houve compressão de corpos vertebrais ou qualquer diminuição de canal vertebral ou forames neurais naqueles níveis.
Foi planejado tratamento conservador para o paciente. Sua internação no hospital não teve eventos dignos de nota e ele foi liberado com uma órtese de hiperextensão tóraco-lombar. Ele foi chamado para controle clínico 1,5; 3; 6; 12 e 24 meses após o evento. O uso de órtese pelo paciente foi interrompido após três meses e ele foi instruído a realizar exercícios de alongamento e fortalecimento.
Tomografias computadorizadas de controle foram feitas aos seis e 12 meses após o trauma para determinar a fusão. A dor nas costas do paciente foi avaliada subjetivamente usando pontuação em escala análoga visual ( VAS) e métodos de compressão de processos espinhosos para cada nível fraturado.
Nesse caso, a pontuação da escala análoga visual diminuiu de oito para dois aos três meses e para 0 aos seis meses. O método de compressão de processo espinhoso forneceu resultados semelhantes. Três meses após o uso de órtese, todos os processos espinhosos apresentavam sensibilidade quando submetidos à compressão embora em nível menor quando comparado à condição inicial. No exame de acompanhamento após seis meses, uma sensibilidade mínima foi detectada sobre o processo espinhoso de T10.
Tomografias computadorizadas e radiografias obtidas depois de seis meses não demonstravam sinais de união e o paciente estava assintomático. Tomografias computadorizadas obtidas 12 meses após a lesão inicial revelaram pseudoartroses em todos os seis processos espinhosos . Não havia sensibilidade naqueles níveis, exceto uma mínima sobre o processo espinhoso de T10.
Aos dois anos de acompanhamento, o paciente apresentava mobilidade completa. Ele consegue flexionar e estender seu tronco e pode também deitar em decúbito dorsal sem sentir dor.
Comentários
Fraturas de processos espinhosos são lesões raras nos pacientes politraumatizados e são mais comumente observadas ao nível de C7, na coluna cervical . O mecanismo de lesão pode ser hiperextensão/hiperflexão ou, raramente, trauma direto. Embora essas fraturas sejam, em sua maioria, observadas associadas a fraturas por explosão ou compressão da coluna vertebral, fraturas isoladas de processos espinhosos também podem ser observadas .Entretanto, fraturas isoladas de processos espinhosos são extremamente raras, especialmente na região torácica. Há problemas em relação ao diagnóstico destas fraturas usando raios-x devido aos elementos ósseos superpostos da caixa torácica Além disso, o tratamento das fraturas de processos espinhosos em vários níveis não esta estabelecido.
Neste caso, a união óssea não é o único fator para determinar um desfecho clínico positivo em casos de fraturas múltiplas de processos espinhosos; a união óssea rígida não deve ser o objetivo principal do tratamento. Um paciente com não-união de fraturas múltiplas de processos espinhosos pode apresentar-se totalmente livre de sintomas, o que faz com que a não-união das fraturas , a pseudo artrose ,seja clinicamente insignificante. A duração da imobilização deve ser curta para controlar a dor no quadro agudo. Exercícios para ganhar função devem ser iniciados, já que a ocorrência de união é considerada improvável.
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