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Novidades Científicas

PO 282 (RE0662)

TOXICIDADE HEPÁTICA PELA CICLOFOSFAMIDA EM LÚPUS ERITEMATOSO SISTÊMICO: RELATO DE CASO


M.R.P. Costa: A.Matsuda; N.C. Araujo; J.C.M. Szajuok, B. Guz; W.H. Chahade

Hospital do Servidor Público Estadual "Francisco Moderato de Oliveira" - São Paulo - SP

Introdução: A nefrite proliferativa difusa é a manifestação do lúpus eritematosos sistêmico (LES), que apresenta resposta terapêutica satisfatória com a ciclofosfamida, sendo considerada a terapia padrão.
Sua aplicabilidade também tem lugar nas manifestações não renais do LES, tais como: citopenias, vasculites, hemorragia pulmonar e alterações do SNC.
A citofosfamida á ativada pelas enzimas hepáticas do citocromo P 450, agindo na substituição dos radicais alquil, bloqueando a duplicação do DNA, induzindo a apoptose.
A citotoxicidade avaliada em hepatócitos humanos in vitro depende da expressão de subtipos de citocromos humanos P 450.
O resultado terapêutico de altas doses intravenosas mensais parece ser melhor com efeitos colaterais menores, comparadas com dose diária oral. São pouco comuns e discretas as alterações hepáticas no LES.

Objetivo: relatar caso de complicação incomum do uso de ciclofosfamida no tratamento do LES.

Relato do caso: paciente do sexo feminino de 36 anos com diagnóstico de LES há 5 anos conforme critério para classificação do ACR cujas principais manifestações são (articular, cutânea, serosite e glomerulonefrite, além das alterações imunológicas laboratoriais características (tabela). Vinha sob terapêutica com ciclofosfamida em forma de pulsoterapia mensal na dose de 1,0g em função de reativação de glomerulonefrite. Após a 2ª. pulso associado uso de prednisona 15mg/dia, enalapril 20mg/dia, e hidroclorotiazida 25mg/dia; observou-se aumento das enzimas hepáticas: TGO 76mg/dl, TGP 125 mg/dl, fosfatase alcalina 11580mg/dl, gama-GT 835 mg/dl, bilirrubinas normais. Realizadas as pesquisas para hepatites virais (A,B, e C) que foram negativas, pesquisa de autoanticorpos antimitocôndria, antimúsculo liso e antimicrossomal foram negativos. A ultrassonografia e tomografia computadrizada do abdômen foram normais (fotos). Frente a esses dados a paciente foi submetida a biópsia hepática percutânea onde evidenciou-se hepatopatia aguda colestática de provável etiologia medicamentosa (foto). Com a descontinuação da ciclofosfamida os níveis das enzimas hepáticas regrediram gradativamente até normalizarem-se. Atualmente a paciente está recebendo micofenolato mofetil, 2,0g/dia.

Conclusão: O efeito colateral hepático da ciclofosfamida, embora infreqüente, deve ser questionado dentre as drogas indutoras de hepatotoxicidade. Este estudo de caso ressalta adequada abordagem terapêutica e prevenção de complicações hepáticas.


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