PO 228 (RE0353)
DOENÇA
DE KIKUCHI - RELATO CASO
I.J.
Amorim: C.S.H. Minami; C.M..C.G. Nunes; M.N.. Marques;
N.C.Araújo; W.H. Chahade
Hospital
do Servidor Público Estadual "Francisco
Morato de Oliveira" - São Paulo - SP
Introdução: A doença de
Kikuchi Fujimoto é uma doença rara, descrita
inicialmente em 1972, no Japão, afeta ambos os
sexos, mas com incidência maior em mulheres jovens,
entre 20-30 anos. A distribuição é
cosmopolita. Sua etiologia é desconhecida, mas
se discute a presença de fatores infecciosos
e também auto-imunes, considerando-se que se
pode tratar de uma reação imunológica
exacerbada do organismo, induzida por infecções.
O início pode ser insidoso, com manifestações
clínicas inespecíficas até o aparecimento
de adenopatias, as quais podem ser únicas ou
múltiplas, dolorosas, preferencialmente bilaterais.
Os exames laboratoriais e radiológicos são
inespecíficos. O diagnóstico é
confirmado por biópsia ganglionar, que consiste
em linfadenie necrotizante histocitária. Geralmente
tem curso benigno, mas em casos excepcionais pode evoluir
de maneira fatal. O tratamento é baseado em corticoterapia,
usada conforme a serveridade da doença.
Relato
do caso: Paciente feminina, faioderma, 37 anos,
digitadora, natural de Minas Gerais, procedente de São
Paulo, procurou o ambulatório de Moléstias
Infecciosas do Hospital do Servidor Público Estadual,
queixando-se de nodulações dolorosas em
regiões submentoniana e submandibulares bilateralmente
de início há um mês. Informando
também o aparecimento de outro nódulo
em região posterior cervical à direita
há seis meses. Negava abscesso, saída
de secreção local febre e/ou outros sinais
e sintomas neste período. Ao exame físico,
apresentava nódulo de 0,5 cm, fibroelástico,
indolor, nível V à direita e nódulo
de 1,5 cm, submentoniano, fibroelástico, indolor
e móvel. Foram realizadas ultrassonografia (USG)
cervical e sorologias para síndrome mono-like,
com os seguintes resultados: USG cervical linfonodomegalia
na fase lateral direita ao músculo esterocleidomastoideo
à direita (1,6x4x0,4 cm), Rubéola (IgG
: + IgM -); Toxoplasmose (IgG + : IgM-); Citomegalovírus
(IgG +: IgM -); Sífilis (IgG +: IgM -) e VDRL
(não reagente). Foi optado em manter a paciente
somente com o uso de sintomáticos, para realização
de biópsia de gânglio cervical posterior
à direita, a qual mostrou linfadenite necrotizante,
com características compatíveis com Doenças
de Kikuchi. Evoluiu com febre, calafrios, dores em pernas
e em membros superiores, dor retro-orbitária
e cefaléia; tendo sido internada na enfermaria
de Moléstias Infecciosas deste serviço,
onde foi solicitada a avaliação da Reumatologia.
Apresentou as Infecciosas deste serviço, onde
foi solicitada a avaliação da Reumatologia,
Apresentou os seguintes exames laboratoriais: Hemograma
normal; CPK; 72; Aldolase: 3; A: 27/33; VHS: 23; PCR
< 0,1; FAN e ENA: não reagentes, através
dos dados foi instituída terapêutica adequada
com corticoterapia, com regressão total dos sintomas
em dois meses.
Discussão:
As alterações mais comuns à doença,
segundo a literatura, são inespecíficas,
sendo o diagnóstico firmado através de
histopatológico, chamando-nos a atenção
que os pródromos da doença foram posteriores
ao aparecimento da linfadenopatia. A doença de
Kikuchi é uma entidade rara, discutindo-se que
sua prevalência pode ser sub diagnosticada, sendo
mais freqüente que os dados da literatura. Cursa
com adenopatia cervical persistente, que não
responde a antibióticos e antiinflamatórios;
embora de curso benigno, tem sido confundida com linfomas
malignos; desta maneira é de suma importância
para o conhecimento dos otorrinolaringologistas, cirurgiões
de cabeça e pescoço e patologias.
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