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Novidades Científicas

PO 208 (RE0351)

GOTA TOFÁCEA CRÔNICA - RELATO DE CASO

I.J. Amorim: M.N. Marques; C.M.C.G.Nunes; V.B. Narciso; J.C.M. Szajubok; W.H. Chahade

Hospital do Servidor Público Estadual "Francisco Morato de Oliveira" - São Paulo - SP

Introdução: A gota é a causa mais comum de artrite em homens maiores de quarenta anos. Ocorre em indivíduos hiperuricêmicos, devido ao acúmulo e deposição de cristais de trato monossódico monoidratado na sinóvia, com conseqüente resposta inflamatória. È mais comum em homens e há certa dificuldade em se determinar precisamente suas taxas de incidências e prevalência, devido ao seu curso com remissões e recorrências. Existem três estágios clínicos, artrite gotosa aguda, período intercrítico e gota tofácea crônica. Obesidade, ingesta abusiva de bebidas alcoólicas, hipertensão, uso de diuréticos, hiperlipidemia e ateroesclerose são fatores freqüentemente associados à doença. O diagnóstico de certeza é feito através da pesquisa de cristais de urato monossódios no líquido sinovial, os quais possuem birrefrigência fortemente negativa na microscopia de luz polarizada.

Relato do caso: Z.H.S., 57 anos, masculino, com diagnóstico de gota há 30 anos. Vinha sem acompanhamento médico e em uso irregular de medicações (antiinflamatórios não-hormonais -AINHS, colchicina e alopurinol). Procurou o pronto socorro do hospital do servidor público estadual. "Francisco Morato de Oliveira" (HSPE-FMO) com dor, calor, rubor e edema em articulações de mãos, punhos, cotovelos, joelhos, tornozelos e pés há 10 anos, acompanhado de febre e mal-estar. Os sintomas pioraram após trauma em tofo gotoso no primeiro pododáctilo direito (D), com eliminação de secreção esbranquiçada abundante. Fez uso de AINHs, sem melhora do quadro. Ultimamente, as crises eram mensais com sintomas progressivamente piores, com limitação da deambulação e dificuldade na manipulação de objetos. Tabagista 25 anos/março, etilista moderado e antecedente de úlcera gástrica perfurada em 1999. Ao exame físico, afebril e com numerosos tofos gostosos disseminados (pavilhões auriculares, desses tofos. Lesão crostosa em primeiro pododácitilo D, com eliminação de substâncias esbranquiçada à expressão. Grande derrame articular em joelho D, o qual foi puncionado e era de aspecto leitoso. Foram feitas hipóteses de crise aguda de gota tofácea crônica, pioartrite de joelho D e tofos infectado em primeiro pododáctilo D. Exames laboratoriais: B 12,4; Ht 37,8; leucócitos 12.510 sem desvio à esquerda; plaquetas 347.000; VHS 52 mm, uréia 90mg/dl; creatinina 1,8 mg/dl; ácido úrico 13,1 mg%. No líquido sinovial foram encontrados cristais de ácido úrico intra e extracelulares, com 10.600 leucócitos e 85% de neutrófilos. Hemoculturas, culturas do líquido sinovial e da secreção tofácea negativas. Usou ciprofloxacino por 7 dias, já que não foi comprovada infecção, colchicina 1 mg; dia e alopurinol 100 mg/dia. Teve alta hospitalar após 9 dias, com melhora do quadro clínico e laboratorial.

Conclusão: Apesar de ser uma enfermidade comum e bem conhecida, muitas vezes causa dúvida quanto à possibilidade de infecção associada. O caso descrito ainda nos mostra a exuberância de lesões, com aspecto pouco usual dos tofos, simulando micropústulas (fotos). Há certa dificuldade no seguimento desses pacientes que, devido ao curso cíclico da doença, não realizam sem tratamento adequadamente, permanecendo com seqüelas irreversíveis.

 

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