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Novidades Científicas

PO 226 (RE0340)

PREVALÊNCIA CLÍNICA DE SEROSITE NO LÚPUS ERITEMATOSO SISTÊMICO

V.B.Narciso: M .P. Costa; A.I. Uehbe; N.C. Araújo; J.C.M Szajubok; W.H. Chahade

Hospital do Servidor Público Estadual "Francisco Morato de Oliveira" - São Paulo - SP

Introdução: A serosite é uma manifestação comum do lúpus eritematoso sistêmico (LES), muitas vezes de difícil diagnóstico clínico, podendo ser expressa através de pleurite e/ou derrame pleural, pericardite e/ou derrame pericárdico, peritonite e/ou ascite ou também alguma associação dentre uma destas alterações clínicas. A pleurite ocorre em aproximadamente 30 a 60% dos casos, sendo a dor pleurítica mais comum que o achado radiográfico. O derrame pleural é geralmente pequeno e bilateral. A pericardite se manifesta clinicamente entre 20 a 30% dos casos, sendo o derrame pericárdico muitas vezes de pequena monta e o tamponamento cardíaco é raro. Há relatos na literatura que mostram o achado de mais de 60% de pleurite e/ou pericardite em necrópsias de pacientes lúpicos. A peritonite é a menos comum dentre as serosites, sendo que a presença de ascite associada é de aproximadamente 11% dos casos, Na maioria das vezes as manifestações clínicas decorrem da inflamação peritoneal.

Objetivo: Avaliar a prevalência do acometimento de serosas na população com LES do Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo - Francisco Morato de Oliveira - SP

Material e Métodos: Foi realizado um estudo retrospectivo em 137 pacientes com diagnóstico de LES em acompanhamento no Serviço de Reumatologia do Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo, que preenchiam critérios do ACR/99 para classificação do LES, dentre eles a presença de serosite, avaliados clinicamente e por imagenologia (radiografia de tórax, ecocardiografia e/ou ultrassonografia de abdome), comparando-se sexo, etnia, tipo de acometimento e serosas, tempo de doença e idade do aparecimento da serosite.

Resultados: Dos 137 pacientes avaliados (133 mulheres e 4 homens), 36 (26,3%) apresentaram serosite: 35(97,2%) eram do sexo feminino e 01 (2,8%) era do sexo masculino 24 (66,6%) eram brancos 07 (19,4%) eram negros e 5 (14%) eram pardos; 14 (38m9%) apresentaram derrame pleural, 11 (30,5%) apresentaram derrame pericárdico dos quais 1 (9,1%) evoluiu com tamponamento cardíaco, havendo necessidade de pericardiocentese; 01 (2,8%) apresentou ascite e 10 (27,8%) apresentaram derrame pleural e pericárdico associado. O tempo médio de doença foi de 12,5 anos (01 mês a 26 anos de evolução). Vinte e sete (75%) apresentaram serosite no momento do diagnóstico e 09(25%) evoluíram com serosite durante o acompanhamento da doença, com evolução variando a 1 a 14 anos com tempo médio de 6 anos.

Conclusão: A presença da serosite é uma ocorrência freqüente nos pacientes lúpicos da população estudada, sendo relevante sua presença no diagnóstico inicial desta enfermidade e também durante sua evolução. Na maioria dos casos cursa com baixa morbidade e excelente resposta ao tratamento instituído. Chamamos a atenção para a ocorrência de eventual tamponamento cardíaco conforme um caso descrito. Os dados encontrados colaboraram com os descritos na literatura atual.

 

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