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Glossário de doenças reumáticas para público leigo
Dores na coluna
A cervicalgia e a lombalgia são os quadros dolorosos mais comuns da coluna vertebral. Constituem a 2ª queixa de dor no homem adulto, perdendo apenas para os quadros de cefaleia.
A cervicalgia é a dor no seguimento cervical da coluna. Afeta cerca de 50% dos indivíduos em algum momento da vida e apresenta predileção pelo sexo feminino.
A lombalgia, por sua vez, é a dor no seguimento lombar da coluna. Afeta de 65 a 85% da população mundial ao longo dos anos. Corresponde a 3ª causa mais comuns de afastamento do trabalho, a 5ª de internação hospitalar e a 3ª de procedimentos cirúrgicos.
As dores cervicais e lombares apresentam múltiplas causas já bem definidas. Porém, a real causa da dor não é diagnosticada em um grande número de pacientes, mesmo após vasta investigação clínica/laboratorial e por imagens. Por exemplo, nas lombalgias, apenas 25 a 30% dos pacientes recebe um diagnóstico anatomopatológico provável. A grande maioria constitui, ainda, as chamadas cervicalgias/lombalgias comuns, idiopáticas ou inespecíficas.
Para fins didáticos, podemos classificar as causas de dor em primárias e secundárias. Primárias se fatores locais envolvendo a estrutura da coluna levam à dor, e secundárias se fatores à distância ou não próprios da coluna são os responsáveis pela dor. Podemos ainda dividir as causas em: 1)mecânico degenerativas (primárias).São relacionadas a alterações da biomecânica na unidade funcional espinhal, que é a menor unidade de movimento vertebral, constituída por 1 par de vértebras adjacentes, duas articulações sinoviais (facetárias) e o complexo disco ligamentar muscular. Causadas por acidentes em geral e traumatismos 2)não mecânicas,
causadas por inflações e infecções.São as espondiloartropatias são caracteristicamente um tipo de doença autoimune inflamatória que afeta a coluna nas ênteses (pontos de inserção de ligamentos e tendões ao esqueleto) e que também podem afetar as articulações sacroilíacas, assim como as grandes articulações dos membros inferiores.A artrite reumatoide, que também é uma doença autoimune sistêmica, pode acometer a coluna cervical 3)psicogênicas, psicossomáticas. A dor é percebida no córtex cerebral, sem estar associada à alteração anatômica local ou sistêmica, geralmente de caráter difuso, descrição imprecisa e de forte associação com desencadeantes emocionais. P. ex.: fibromialgia, depressão, histeria etc. A historia clinica é a principal arma diagnóstica e os exames complementares e físicos são normais.4)Dores referidas A lesão está em outros locais e não na coluna. Por exemplo, pode ser uma dor referida neurogênica de um infarto do miocárdio, dor viscerogênica como em uma vasculite de carótidas, espasmo esofágico ou pode ser somática, como em um herpes zoster
Lombalgia aguda
Foi feita uma revisão sistemática de ensaios clínicos controlados, que compararam realização imediata de imagens da coluna lombar (ressonância magnética, tomografia computadorizada ou radiografia simples) com abordagem clínica habitual sem realização imediata de imagens para dor lombar baixa aguda. Seis estudos, com um total de 1.804 pacientes, preencheram os critérios de inclusãoforam incluídos.
Não foram observadas diferenças significativas entre a abordagem com imagens imediatas e a abordagem habitual sem imagens nos desfechos primários (dor e funcionalidade), tanto no curto prazo (até 3 meses); para dor e para função, como no longo prazo (6 a 12 meses); Os outros desfechos também não diferiram significativamente entre os dois grupos. A qualidade do estudo, a modalidade de imagem utilizada e a duração da lombalgia não afetaram os resultados, mas tais análises foram limitadas pelo pequeno número de estudos. Os autores comentam que tais resultados se aplicam principalmente para pacientes com lombalgia aguda e subaguda vistos na atenção primária, e concluem que a realização de estudos de imagem para dor lombar baixa sem evidências de doenças subjacentes graves não melhora o prognóstico.
A questão da utilização rotineira de exames complementares para uma série de situações clínicas em que não há uma indicação formal para a realização do exame tem sido solicitada com freqüência pelos pacientes. Este fenômeno faz parte, da denominada medicalização social. Há inúmeras razões pelas quais os médicos solicitam exames complementares: prática equivocada aprendidae apresentada como prática correta (particularmente em serviços privados em que fazer mais exames é considerado boa prática clínica), necessidade de tranquilizar os pacientes e eles próprios, satisfazer as expectativas dos pacientes por exames complementares (muitas vezes exames de alta tecnologia), tentar identificar uma causa anatômica específica para a dor, ou ainda, porque a estrutura de reembolso por exames complementares estimula esta prática. Entretanto, a realização de exames de imagem pode ser deletéria em virtude da exposição à radiação e em virtude do risco de rotulação dos pacientes com um diagnóstico anatômico que pode não ser a verdadeira causa dos sintomas (este fenômeno é freqüente com as protrusões discais vistas nas ressonâncias magnéticas e que automaticamente são consideradas como, hérnia de disco que muito rara, a causa da lombalgia, levando até mesmo a cirurgias desnecessárias). Assim, nunca é demais repetir que exames de rotina devem ser evitados a todo custo. Eles causam, além de custos financeiros aos serviços de saúde, custos psicossociais e iatrogenias( danos físicos) potenciais.
Lúpus eritematoso sistêmico (LES)
O lúpus é uma doença sistêmica ( pois ataca vários órgãos e tecidos), de natureza auto-imune, caracterizada pela presença de diversos auto-anticorpos e considerada o protótipo das doenças por imune-complexos. Caracteriza-se por promover quadros inflamatórios em todos os órgãos, o que determina uma apresentação clínica polimórfica, que nas suas fases iniciais pode dificultar o diagnóstico preciso.
O conhecimento das principais características clínicas da doença é muito importante, pois auxilia sobremaneira o diagnóstico, uma vez que a primeira sintomatologia pode ocorrer num único órgão ou sistema, retardando a sua suspeita. As suas manifestações clínicas podem aparecer isoladamente, de forma consecutiva ou aditiva, principalmente nos primeiros cinco anos da doença, que é o período no qual ela habitualmente mostra os locais preferenciais de comprometimento.
Os critérios diagnósticos servem de guia na verificação dos diversos sistemas. Estes são constituídos de 11 parâmetros clínicos e laboratoriais, e devem estar presentes quatro destes de forma consecutiva ou seriada para se classificar um paciente com lúpus eritematoso sistêmico (LES) .
Cabe salientar ainda que existam sinais e sintomas que, embora não façam parte desses critérios, podem freqüentemente estar presentes no início da doença. Neste sentido, torna-se imperativo verificar minuciosamente o envolvimento pregresso dos sistemas, pesquisando principalmente os sintomas mais encontrados na doença na busca de pistas para o seu diagnóstico.
O LES é muito mais prevalente em mulheres na idade fértil, e os primeiros sinais e sintomas iniciam-se entre a segunda e terceira décadas de vida, quando o predomínio do sexo feminino é na proporção de 10:1.
O lúpus é uma doença que não apresenta um padrão típico de comprometimento sistêmico. O diagnóstico baseia-se fundamentalmente no quadro clínico, que, associado aos dados laboratoriais e sorológicos, favorecem a sua definição. Na fase inicial acomete com maior freqüência o sistema ósteo-articular e o cutâneo, e, de forma mais grave, o renal e o sistema nervoso central (SNC).
Sintomas gerais e constitucionais são extremamente freqüentes e inespecíficos, dentre os mais comuns devemos salientar anorexia e perda insidiosa de peso, que podem ser identificados no início e até preceder em meses o aparecimento das manifestações orgânicas. A febre como primeiro sinal clínico de LES pode ocorrer em cerca de 50% dos casos e geralmente é associada a sinais consumptivos de emagrecimento.
As úlceras orais, apesar de inespecíficas, fazem parte dos critérios diagnósticos, geralmente não são dolorosas, relacionadas à atividade inflamatória da doença e encontradas em até 25% dos pacientes, o que justifica um exame clínico minucioso do paciente com a suspeita da doença.
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