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Elementos básicos de diagnóstico da síndrome de Sjögren

Elementos básicos de diagnóstico da síndrome de Sjögren


Figura 1 - Aspectos da biópsia de glândula labial na síndrome de Sjögren. À esquerda não se evidencia infiltrado inflamatório. No meio, observa-se áreas focais de infiltrado linfocítico (setas). À direita, extensa infiltração linfocítica e atrofia glandular e ductal [Adaptado de Moshella, S & Magro, C- Up To Date, 8(2) 2000].


As células do epitélio glandular desses pacientes expressam altos níveis de antígenos de histocompatibilidade (HLA) da classe II, em especial o HLA-DR, que estão envolvidos com a apresentação de auto-antígenos ou antígenos exógenos aos linfócitos T CD4+ e com geração de uma resposta auto-imune que não ocorre no epitélio glandular normal(4,14). O mecanismo de destruição glandular pelos linfócitos T CD4+ pode estar envolvido com a indução e liberação de enzimas citolíticas e de citocinas, particularmente nas áreas com grande infiltrado celular(14).

PATOGENIA

Fatores genéticos, algumas viroses, citocinas e a presença de auto-anticorpos têm sido incluídos como fatores patogênicos na SS. A tendência familial para a SSP tem sido bem documentada(14). O melhor marcador genético para a SS parece pertencer ao complexo de histocompatibilidade molecular da classe II. Nos caucasianos, a SSP está associada com uma alta freqüência do HLA-DR3 (50% dos pacientes). Fatores genéticos parecem estar mais associados com a produção dos auto-anticorpos do que com a própria doença; sendo assim, se os pacientes com anti-SSA e anti-SSB positivos forem considerados, a freqüência do HLA-DR3 nos caucasianos pode aumentar para 60% a 90%(15). Os marcadores genéticos associados a SSP incluem: HLA-DR3, HLA-DQ2, um alelo do peptídio do gen transportador (Tap2, Tapo21*bky2) e a região variável da cadeia beta da célula T (TCRBV67)(30).


Outro evento iniciante proposto na patogênese da SS é a infecção viral, particularmente pelos vírus de Epstein-Barr (EBV) e o herpesvírus-6. Isto porque tais vírus freqüentemente infectam as glândulas salivares de indivíduos normais. O EBV pode estimular a produção de anticorpos policlonais e auto-anticorpos como o fator reumatóide; nas biópsias de glândulas salivares de pacientes com SS, há uma freqüência aumentada de células do epitélio glandular expressando antígenos associados ao EBV(3,14) e, entre outros, o aumento do DNA do EBV na saliva de pacientes que desenvolvem pseudolinfoma(2). Outros vírus associados são o HTLV-1, HIV e o da hepatite C, que costumam apresentar síndromes clínicas semelhantes à SS(14). Citocinas como o interferon-gama (IFNg) e a interleucina-2 (IL-2) têm sido demonstradas no tecido glandular desses pacientes, havendo uma alta correlação entre os níveis do IFNg e expressão do HLA-DR(14). O processo inflamatório nas glândulas lacrimal e salivar liberam mais enzimas proteolíticas, especialmente as metaloproteinases que determinam diminuição da secreção, bem como o aumento da IL-1 ou TNFa(30). A SS se caracteriza pela presença de autoanticorpos, essenciais para o diagnóstico, especialmente o anti –Ro/SSA e o anti-La/SSB. Outros anticorpos encontrados são o anti-receptor acetilcolina da glândula salivar e o fator reumatóide. Anticorpos anti-SSA/Ro, in vitro, são capazes de mediar citotoxicidade contra alvos que contenham o antígeno Ro. Não há, entretanto, nenhuma evidência direta de que os anticorpos anti-SSA/Ro ou La sejam patogênicos in vivo(14).



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