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Atrite Reumatóide

Introdução

A doença reumatóide (DRe), como preferimos denominá-la, em vez de artrite reumatóide como é mais conhecida, devido ao acometimento de outros órgãos, além das articulações, é uma doença inflamatória, crônica e de distribuição universal.

É a artrite inflamatória mais frequente, com uma prevalência em torno de 1% a 3% na população mundial(1,2). No Brasil, dados epidemiológicos recentes mostraram uma prevalência de 0,6% numa população envolvendo 500 famílias, em cinco cidades diferentes(3).

Seu pico de incidência é maior por volta dos 35 a 45 anos, sendo as mulheres duas vezes e meia mais acometidas que os homens. Em contrapartida os homens, geralmente, têm um curso da doença pior em relação às mulheres(4).

Os eventos moleculares que levam ao início da DRe ainda permanecem desconhecidos. Existe forte evidência que a doença ocorre em indivíduos geneticamente predispostos. Em populações brancas essa predisposição genética parece estar associada à presença de antígenos de linfócitos humanos (HLA), mais especificamente as subclasses dos HLA-DR4(5,6).

Os indivíduos predispostos são expostos a um eventual agente desencadeante que pode ser reconhecido por um complexo formado por uma célula apresentadora de antígeno (neste caso este agente desencadeante que ainda não conhecemos), geralmente um macrófago, através de suas moléculas do complexo de histocompatibilidade de classe II (MHC II) e por um linfócito T com seu receptor(5,7). A partir daí, é desencadeado um complexo processo inflamatório no sítio primário da doença que é a membrana sinovial. A membrana sinovial se torna inflamada e proliferada, formando o pannus (proliferação de tecido sinovial), o qual invade o osso, a cartilagem e os ligamentos, levando ao dano e deformidade articular característicos da doença. Laura Nascimento Tavares
Ex-médica residente do Serviço de Reumatologia do HSPE - FMO. Especialista em Reumatologia pela SBR/AMB.

Rina Dalva Neubarth Giorgi
Médica-chefe da Seção de Diagnóstico e Terapêutica. Ex-médica residente do Serviço de Reumatologia do HSPE - FMO.

Wiliam Habib Chahade
Diretor e ex-médico residente do Serviço de Reumatologia do HSPE-FMO.

Patogenia

Com o reconhecimento do agente desencadeante pelo complexo MHC e pelo linfócito T, ocorre a ativação de macrófagos, de linfócitos B, de moléculas de adesão (ICAM) e de moléculas associadas à função dos linfócitos (LFA), além de um grupo de mediadores inflamatórios, incluindo as interleucinas (IL), os fatores de necrose tumoral (TNF), os fatores de crescimento de fibroblastos (FGF), os fatores de crescimento derivados de plaquetas (PDGF), os peptídeos estimuladores de monócitos e neutrófilos (Mo-CSF), o fator estimulador de colônias granulócito-macrófago (GM-CSF), as prostaglandinas e o óxido nítrico, os quais, em conjunto, promovem um processo inflamatório complexo resultando em proliferação celular, angiogênese e apoptose (morte celular programada) responsável pela destruição celular(2,8).

À medida que os eventos inflamatórios acontecem, os sinais e sintomas clínicos vão surgindo. Inicialmente, na fase de apresentação do antígeno desconhecido ao linfócito T nenhuma manifestação é observada. Com o início da resposta inflamatória, ocorre proliferação das células linfocitárias, liberação de citocinas, proliferação sinovial e angiogênese, a qual é responsável por perpetuação do processo inflamatório através da facilitação da chegada das células e mediadores inflamatórios. Nessa fase a dor articular, o edema e a rigidez matinal são os sintomas principais. Tardiamente, há evidente invasão do pannus no osso subcondral, erosão óssea e distorção da arquitetura articular. Os sintomas incluem dor, edema, instabilidade e deformidades articulares, além de complicações extra-articulares(9).

Critérios de classificação

Em 1987, o Colégio Americano de Reumatologia (ACR) realizou uma revisão nos critérios classificatórios da DRe (Tabela 1). Os pacientes portadores de pelo

 

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