Menu
 • Artigos
 • Banco de Imagens
 • Cadastramento
 • Congressos e Eventos
 • Corpo Clínico
 • Fórum
 • Links
 • Novidades Científicas
 • Membros do CERIR
 • Revista de    Reumatologia
CERIR » Revistas

Editorial

A Organização Mundial da Saúde (OMS), em janeiro do ano 2000, lançou de modo vigoroso e com recomendações de dedicação intensiva aos distintos países, a Campanha Universal que já está contando com apoio, irrestrito internacional, de mais de 700 instituições relacionadas com a saúde: "A década do osso e da articulação: 2000-2010" ("The bone and joint decade: 2000-2010").

Tudo começou com um grupo de profissionais suecos da Universidade de Lund muito preocupados com a importância das doenças músculo-esqueléticas que atingem um terço da população mundial, sendo a primeira causa de perda de dias de trabalho e de incapacidade transitória ou permanente.

O objetivo básico deste programa oficial é o de "melhorar, progressivamente, a qualidade de vida relacionada com a saúde dos indivíduos que, em todo o mundo, padecem de acometimentos músculo-esqueléticos". Devem ser sensibilizadas a comunidade, as autoridades de saúde, as instituições de pesquisa, as sociedades científicas, as associações de enfermos, entre outras, para que juntos possamos interferir com melhores condições de atendimento, de profilaxia, de tratamento e de reabilitação.

As áreas focais que serão desenvolvidas são: osteoporose, osteoartrose/osteoartrite, artrite reumatóide, coluna vertebral e traumatologia.

Como convidados da OMS para monitorar este programa e tentar homogeneizar as condutas mais pertinentes estivemos, juntamente com o colega ortopedista prof. dr. Karlos Mesquita (Rio de Janeiro), trabalhando em Genebra neste lançamento da campanha, respectivamente, como conselheiros científicos e monitores das áreas de coluna vertebral e de traumatologia. Esperamos que o apoio no nosso país nos permita desenvolver programas epidemiológicos e de abordagem profilática, diagnóstica e terapêutica, de consenso.

Assim, ao voltar e ser convidado para coordenar este suplemento denominado de "Temas de Reumatologia Clínica" pela Moreira Jr. Editora e com o patrocínio do Sintofarma, não hesitei em aceitá-lo através do Centro de Estudos (CERIR) do Serviço de Reumatologia do HSPE-FMO. A OMS considera o reumatologista como o clínico central no desenvolvimento do programa de patologias osteoarticulares e musculares: o reumatologista tem assumido em sua formação o papel de clínico do aparelho locomotor.

Há dificuldades acentuadas do generalista/internista em acompanhar o rápido desenvolvimento tanto das medidas profiláticas, ao se evitar lesões e incapacidades, quanto dos elementos de diagnóstico e de abordagem terapêutica, ao lado da realidade de que muitos médicos não viveram a disciplina de Reumatologia, seja nos currículos acadêmicos, seja nos estágios obrigatórios ou optativos da residência de Clínica Médica.

Por outro lado, as evidências de avaliações internacionais têm demonstrado que o custo é menor e o benefício é muito maior quando o reumatologista realiza a orientação tanto dos cuidados primários como dos especializados do enfermo reumático.

Como responsável pelo Serviço de Reumatologia do HSPE-FMO há cerca de mais de trinta anos, tenho sempre dito que o especialista é antes de tudo um generalista/internista para que possa cuidar de doenças sistêmicas que mostram fenótipos de múltiplos acometimentos osteoarticulares e musculares.

Deste modo, defendemos a posição de que o especialista em reumatologia deve cursar dois anos de residência de Clínica Médica e, posteriormente, fazer a especialização por mais dois anos. Da enfermaria do Serviço de Reumatologia do HSPE-FMO saíram e estão espalhados pelo país cerca de um quinto dos especialistas brasileiros. A grande maioria do conselho editorial é de ex-residentes ou de estagiários do Serviço.

Devo relembrar que a área de concentração do reumatologista inclui, além das patologias artículo-musculares as: patologias ósseas, enfermidades de partes moles (fibromialgia e síndromes regionais), injúrias da coluna vertebral (principalmente as biomecânicas), o reconhecimento das lesões da prática esportiva, a orientação e o emprego da medicina física e reabilitação dos enfermos reumáticos, a artroscopia ou a microartroscopia de diagnóstico (as biópsias sinoviais), a realização e a interpretação segura de imagens (artro-sonografia, a densitometria e a ultra-sonometria ósseas, entre outros), o domínio e colheita de materiais e de técnicas laboratoriais básicas, e as indicações e o controle clínico das situações cirúrgicas de seus pacientes, em particular nos pré e pós-operatórios de cirurgias ortopédicas. O reumatologista deve estar bem consciente de que deve reciclar seus conhecimentos e suas habilidades periodicamente, não esquecendo de que os avanços na metodologia científica e na fármaco-economia estão dentro deste contexto, assim como deve estar preparado para os novos envolvimentos nos campos da biologia molecular e da genética, que proporcionarão, nos próximos anos, eficientes planificações profiláticas e terapêuticas.

"Temas de Reumatologia Clínica" procurará ser um veículo, em nosso meio, de divulgação e de reciclagem de generalistas/internistas nos elementos de diagnóstico de patologias reumáticas, ao contribuir para o reconhecimento mais preciso da enfermidade e de seu estádio, antes de encaminhar o paciente para o reumatologista. Ao mesmo tempo, divulgará importantes "sites" para consultas na internet e, também, alguns assuntos de interesse do especialista. Cada edição trará um tema mais completo relacionado com manifestações osteo-articulares e musculares de doenças sistêmicas ou com os avanços de condutas terapêuticas.

Espero que "Temas de Reumatologia Clínica" alcance estes objetivos primordiais e, assim, possa contribuir às necessidades da "década do osso e da articulação: 2000-2010".


Wiliam Habib Chahade
Diretor do Serviço de Reumatologia doM
HSPE-FMO. Membro-Monitor do
Grupo Científico Internacional "The
bone and joint decade 2000-2010"
da OMS (Genebra).


« Voltar