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Febre Reumática

Algumas outras manifestações podem ocorrer, mas não são específicas para FR aguda: febre e artralgia, que fazem parte dos critérios menores de Jones, não são usuais. Epistaxis é frequente, intermitente e, geralmente, bilateral. Em 5% dos casos ocorre dor abdominal, causada por peritonite, que pode preceder as outras manifestações de FR por horas ou dias, simulando abdome agudo(9,12). A encefalite, extremamente rara, manifesta-se por perda gradual da consciência, evoluindo para coma, convulsões e sinais de localização neurológica(11).

Diagnóstico

A inespeficidade das manifestações e a ocorrência das mais específicas em outras enfermidades frequentemente levam a superdiagnóstico. Esta é a principal razão que levou ao estabelecimento dos critérios de Jones, em 1944. Para aumentar a sua aplicabilidade esses critérios foram revisados quatro vezes desde a sua publicação, sendo a última em 1992(3). A despeito das reservas quanto à sua validade, são importantes como guia diagnóstico e para estudos epidemiológicos.



CRITÉRIOS DE JOVENS
(revisado em 1992 )
Manifestações principais Manifestações
menores
Cardite Aspectos clínicos
Poliartrite    -Artralgia
Coréia    -Febre
Eritema marginado Aspectos laboratoriais
   -Aumento da VHS e PRC
   -Intervalo P-R prolongado
Nódulos subcutâneos
mais:
Evidência de infecção prévia por Streptococcus
do grupo A:cultura de garganta ou teste de
antígeno estreptocócico positiva.


Define-se como de alta probabilidade o diagnóstico de FR aguda, quando há evidência de infecção de vias aéreas superiores pelo Streptococcus associada a duas manifestações principais ou a uma manifestação principal e duas manifestações menores. O diagnóstico é considerado presuntivo quando há coréia isolada ou cardite indolente e excluídas outras causas dessas síndromes. Retirados da lista de critérios menores, a história pregressa de FR aguda e cardiopatia reumática, quando existem e há outros sinais sugestivos, fortemente indicam o diagnóstico de recorrência(3).

Diagnóstico diferencial

Várias enfermidades exibem características semelhantes às da FR aguda.


Cuidadosa análise e recursos complementares são fundamentais para a correta distinção. As mais frequentes causas de confusão diagnóstica com a FR são(14):

- Artrite reumatóide juvenil;
- Lúpus eritematoso sistêmico;
- Outras colagenoses, incluindo as vasculites;
- Endocardite infecciosa;
- Artrites reativas;
- Espondiloartropatias;
- Infecções (hanseníase, Yersinia,    doença de Lyme);
- Febre familiar do mediterrâneo;
- Síndrome dos antifosfolípides;
- Leucemias;
- Anemia falciforme e outras    hemoglobinopatias;
- Sarcoidose.

Consideramos, entre essas, a artrite reumatóide juvenil (ARJ), a endocardite e o lúpus (LES) como as doenças que apresentam as maiores dificuldades no diagnóstico diferencial com a FR.

Pericardite isolada é mais frequente na ARJ do que na FR aguda. Sopros observados na ARJ podem ser confundidos com valvulite. O comprometimento articular na ARJ tende a ser mais persistente, enquanto a artrite da FR aguda cede mais rápido. Notar que comprometimento cervical não é mais válido para distinguir essas duas doenças, em suas fases iniciais. A erupção cutânea macular da doença de Still é transitória e muito diferente do eritema marginado, que é maior e mais duradouro(14).

A distinção entre LES e FR pode ser difícil, pois há superposição de seus aspectos epidemiológicos, quanto a ocorrência em jovens, no sexo feminino, e características clínicas idênticas, como artrite, febre, coréia e cardite. O LES acomete múltiplos órgãos e quando apresenta coréia, esta raramente é isolada. As lesões cutâneas são típicas, quando presentes. Comprometimento do rim e do sistema nervoso central são próprios do LES(14).

A endocardite infecciosa subaguda tem similaridades com FR aguda. A endocardite deve ser suspeitada em todos os pacientes com disfunção valvular crônica, ou com cardiopatia congênita, na presença de febre. Esplenomegalia, petéquias, procedimentos invasivos aumentam as possibilidades para o diagnóstico de endocardite(14).

Dados laboratoriais(1,5)

Os achados laboratoriais não são patognomônicos da febre reumática, embora possam auxiliar o clínico

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