|
A osteoporose é enfermidade
crônica, multifatorial, relacionada à
perda progressiva de massa óssea,
geralmente de progressão
assintomática até a ocorrência de
fraturas. Condição relacionada ao
envelhecimento e, principalmente, ao
hipoestrogenismo, admite distribuição
universal, com prevalência que se
estima aumentar dia- a-dia, graças ao
aumento de expectativa de vida da
população mundial.
Em 1998, a Organização Mundial da
Saúde (OMS) reafirmou a definição
da Conferência de Consenso de
1991, ao procurar englobar no
conceito os múltiplos e heterogêneos
fatores que determinam o
aparecimento de fraturas:
osteoporose é "uma doença
caracterizada por baixa massa óssea
e deterioração da microarquitetura do
tecido ósseo, determinando aumento
da sua fragilidade e, deste modo,
sendo responsável pelo maior risco
de desenvolver fraturas". É um estado
de insuficiência ou de falência do
osso, causando elevada morbidade
associada às fraturas(1,9).
Nas últimas duas décadas a
osteoporose foi reconhecida como
um importante problema de saúde
pública em termos de morbidade,
mortalidade e custos financeiros. É a
doença osteometabólica mais
comum, sendo que, com base em
estudos internacionais, estima-se que
15 milhões de brasileiros estejam
propensos a desenvolver esta
doença.
A osteoporose generalizada pode
ocorrer na forma primária ou
associada(2) a outras patologias
(Quadro 1). A osteoporose
idiopática _ descrita raramente em
jovens e ocasionalmente em pessoas
com idade inferior a 40 anos _ é uma
doença dos idosos, principalmente
mulheres a partir da sexta década.
Entre as causas iatrogênicas podemos
citar o uso crônico de
corticosteróides, anticonvulsivantes,
heparina, metotrexato, tiroxina,
retinóides entre outros.
|
Elaine de Azevedo
Médica encarregada do Setor de
Doenças Osteometabólicas do
Serviço de Reumatologia do
Hospital do Servidor Público
Estadual de São Paulo "Francisco
Morato de Oliveira" (HSPE -"FMO").
Regina Adalva de Lucena Couto
Médica residente (R3) do Serviço
de Reumatologia do HSPE -"FMO".
Wiliam Habib Chahade
Diretor do Serviço deReumatologia do HSPE - "FMO".
QUADRO 1 Doenças associadas à osteoporose |
| Endocrinopatias
|
| Hipogonadismo
|
| Hipertireoidismo
|
| Hiperparatireoidismo
|
| Anorexia nervosa
|
| Síndrome de Cushing
|
| Amenorréia
|
| Diabetes mellitus
|
| Distúrbios gastrointestinais
|
| Pancreatite crônica
|
| Pós-gastrectomias
|
| Pós-derivação gastro-ileal
|
| Insuficiência hepática
|
| Doenças inflamatórias crônicas (Cröhn, retocolite ulcerativa, Whipple)
|
| Doenças reumatológicas
|
| Doença reumatóide
|
| Espondiloartropatias soronegativas
|
| Outras
|
| Doença pulmonar obstrutiva crônica
|
| Alcoolismo
|
A diminuição progressiva da massa
óssea que ocorre pelo
envelhecimento, por si só predispõe à
osteoporose, mas, além da idade,
outros fatores podem contribuir para
o surgimento precoce da doença
(Quadro 2)(3).
O diagnóstico da osteoporose em
uma mulher após a menopausa que
apresenta fratura compressiva de
vértebra ou em um idoso com fratura
do colo femural é óbvio. Antes da
ocorrência de fraturas patológicas,
entretanto, o diagnóstico correto
pode ser difícil. Historicamente, os
métodos radiológicos
convencionais (radiografia simples)
foram utilizados com pouca precisão,
visto que os sinais de rarefação óssea
estão presentes apenas após uma
diminuição substancial da massa
óssea (30% a 40%), o que inviabiliza
o diagnóstico precoce da
osteoporose e retarda a intervenção
preventiva/terapêutica(4).
Atualmente para o diagnóstico da
osteoporose con-
|