QUADRO 2 Principais fatores de riscos para a osteoporose |
| História familiar |
| Hipoestrogenismo (amenorréia primária ou secundária; menopausa precoce idiopática ou cirúrgica) |
| Nuliparidade |
| Sedentarismo ou imobilização prolongada |
| Baixa massa muscular |
| Mulheres brancas ou asiáticas |
| Dieta pobre em cálcio |
| Tabagismo |
sideramos a análise dos fatores de
risco (Quadro 2), a coexistência de
outras patologias (Quadro 1), a
avaliação laboratorial e do
metabolismo ósseo complementados
pelas técnicas atuais de mensuração
da massa óssea(5).
Laboratório na osteoporose
A osteoporose primária tem sido
considerada um diagnóstico de
exclusão, sendo as investigações
utilizadas, na realidade, para excluir
outras doenças e não para
estabelecer o diagnóstico de
osteoporose. A investigação
laboratorial deve incluir diversos
exames como: hemograma,
eletroforese de proteínas,
determinação do cálcio e fósforo
séricos e urinários, além de exames
complementares que excluam
tireotoxicose, mieloma,
hiperparatireoidismo e
hipercortisolismo.
O cálcio sérico se apresenta em três
frações diferentes: ligado a proteínas
(40%) _ o qual não é ultrafiltrado
pelo rim; ionizado (48%) e
complexado com outros cátions
(12%). O cálcio ionizado é a fração
mais importante para os processos
fisiológicos, como a contração
muscular, coagulação sanguínea,
condução nervosa, ação e secreção
de hormônios, mineralização óssea e
integridade das membranas
plasmáticas.
Os níveis séricos de cálcio (total ou
ionizado) e fósforo habitualmente
estão dentro dos valores normais
para o sexo e idade na investigação
dos pacientes com osteoporose. A
excreção urinária de cálcio pode estar
elevada, mas não invariavelmente e,
por este motivo, serve principalmente
como parâmetro para a avaliação da
ingesta diária de cálcio, bem como da
taxa de filtração renal do mesmo.
Os marcadores da remodelação
óssea podem ser divididos em dois
grupos, segundo as fases de
reabsorção e formação óssea
(Quadro 3).
Até o presente, todos os marcadores
usados para monitorização da
formação óssea são produtos dos
osteoblastos. A fosfatase alcalina é
um marcador da atividade enzimática
dos osteoblastos, enquanto a osteocal-
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QUADRO 2 Principais fatores de riscos para a osteoporose |
| Formação |
Reabsorção |
Fosfatase alcalina Osteocalcina Peptídeo pró-colágeno |
Plasma/soro
Fosfatase ácida tartarato resistente
Piridinolina/deoxipiridinolina
livres
Peptídeo pró-colágeno
Telopeptídeo do colágeno tipo
(N-terminal e C-terminal)
Sialoproteína óssea
Urina
Hidroxilisina galactosil
Piridinolina/deoxipiridinolina
livres
Telopeptídeo do coláge tipo I
(N-terminal e C- terminal)
Cálcio
Hidroxiprolina
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cina e o peptídeo pró-colágeno
(collagen type I C-terminal e
N-terminal propeptides) são
produzidos e liberados durante a
formação óssea.
Na prática clínica, elevações dos
níveis da isoenzima óssea da fosfatase
alcalina são vistos nos pacientes com
hiperparatireoidismo, hipertireodismo,
doença de Paget, acromegalia e
metástase óssea. Apesar de seu alto
grau de discriminação, a detecção
plasmática por radioimunoensaio da
osteocalcina não tem sido utilizada
rotineiramente no diagnóstico da
osteoporose.
A fosfatase ácida tartarato resistente
é uma enzima encontrada
exclusivamente nos osteoclastos. Por
essa razão, as variações dos seus
níveis séricos têm sido propostos
como marcador da função destes.
Infelizmente, este método não se
encontra disponível comercialmente.
A hidroxiprolina é o marcador de
reabsorção óssea mais conhecido,
entretanto, sua validade tem sido
questionada já que seu poder
discriminativo em casos de pequenas
alterações na reabsorção óssea é o
menor de todos os marcadores de
reabsorção. Têm sido demonstradas
grandes variações nas concentrações
urinárias de piridinolina,
deoxipiridinolina e da fração
aminoterminal telopeptídeo
influenciados não só pela reabsorção
óssea, como também por outros
fatores como a idade e quantidade
destes elementos no tecido ósseo.
Certamente estes fatores têm papel
limitante no seu uso de rotina. Já a
dosagem do telopeptídeo
carboxiterminal é realizada no soro e
tem mostrado uma forte correlação
com dados histológicos,
representando, portanto, uma nova
expectativa no diagnóstico da
reabsorção óssea.
De uma maneira geral devemos
considerar que a remodelação óssea
é um processo complexo que envolve
a proliferação e a diferenciação de
células da linhagem osteoblástica e
muitos aspectos bioquímicos, cada
um podendo ser regulado por
diferentes fatores.
Até o momento não dispomos de um
marcador capaz de discriminar
perfeitamente todos estes aspectos,
razão pela qual a interpretação clínica
deve ser extremamente cuidadosa(6).
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