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Sarcoidose
A sarcoidose é uma doença
granulomatosa multissistêmica, de
causa desconhecida, que tem como
característica histológica a formação
de granuloma não caseoso no órgão
acometido, acompanhado de
exuberante reação imune do tipo
celular.
É doença de distribuição universal.
Estima-se que sua incidência seja
variável, na dependência da
população estudada e dos critérios
utilizados para se estabelecer o
diagnóstico(1). A incidência
observada em países nórdicos é de
15 a 20 casos por 100 mil habitantes,
achado que tem permanecido
constante com o passar de
décadas(2). Na Suíça, um estudo
radiológico em massa revelou uma
prevalência de 64 por 100.000,
considerada das mais altas na
Europa. Entretanto, estudo feito
através de autópsias indica que a
incidência pode ser maior que 641
por 100.000. A Espanha, por sua
vez, tem a mais baixa prevalência da
Europa, com 0,04 por 100.000(2).
Estudo realizado em Rochester,
Minnesota, mostrou incidência de 7,5
por 100.000 em mulheres e 6,7 por
100.000 em homens(3). No Brasil
estima-se que a sarcoidose tenha uma
ocorrência em torno de 0,2 por
100.000(4); parece ser baixa a
frequência de sarcoidose na África
tropical, na Índia e no sudoeste da
Ásia(5).
Quanto à raça, a sarcoidose mostra
predileção por negróides, com
prevalência 10-17 vezes maior em
relação aos caucasóides(5). Por essa
razão, sugere-se que a sarcoidose
poderia relacionar-se com fatores
genéticos, e que a doença em
negróides poderia ser uma síndrome
clínica diferente da encontrada nos
indivíduos de outras raças(5).
A sarcoidose afeta mais comumente
adultos entre 20 e 50 anos, e é duas
a dez vezes mais prevalente em
mulheres que em homens. Nas
crianças é considerada doença rara,
ocorrendo entre as idades de 9 e 15
anos.
Aspectos imunopatogênicos
Sugere-se que a lesão pulmonar da
sarcoidose poderia ser deflagrada
por um antígeno inalado que,
penetrando pelas vias aéreas, levaria
a ativação de macrófagos e linfócitos alveolares.
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Sônia Maria A. Anti Loduca Lima
Médica assistente do Serviço de
Reumatologia do Hospital do
Servidor Público Estadual de São
Paulo "Francisco Morato de
Oliveira", São Paulo/Brasil.
João Roberto Pereiro
Médico assistente do Serviço de
Neurologia e Responsável pelo
setor de "Enfermidades
Neuromusculares" do Hospital do
Servidor Público Estadual de São
Paulo "Francisco Morato de
Oliveira", São Paulo/Brasil.
Wiliam Habib Chahade
Diretor do Serviço de Reumatologia
do Hospital do Servidor Público
Estadual de São Paulo "Francisco
Morato de Oliveira", São
Paulo/Brasil.
Estas células liberariam
fatores quimiotáticos e citocinas que
provocariam uma alveolite linfocítica.
Os pacientes com sarcoidose
apresentam um desequilíbrio
na dinâmica imunológica,
com acentuação da resposta cutânea
de hipersensibilidade tardia. O lavado
broncoalveolar nestes pacientes, com
comprometimento pulmonar,
apresenta cerca 33% de linfócitos na
contagem celular, contra 10% nos
indivíduos normais(6), e este número
tende a ser maior durante as fases
ativas da doença(7). Macrófagos
alveolares ativados têm a capacidade
de liberar mais oxirradicais e
aumentar a liberação de IL1(8). Estes
macrófagos, também, têm maior
capacidade de reconhecer antígenos
das células T, geralmente ativadas.
A ativação da célula T é demonstrada
pelo aumento na expressão do
antígeno HLA-DR(9) do receptor de
IL-2(10) e pela liberação de citocinas
que promovem a formação do
granuloma; porém, ainda não se pode
afirmar que a ativação linfocítica
esteja associada a parâmetros clínicos
de atividade da doença.
Usando técnicas de
imuno-histoquímica e anticorpos
monoclonais específicos, Tazi A. e
cols.(11) demonstraram que a vasta
maioria dos linfócitos na sarcoidose
expressam receptores a/b e pequeno
número de receptores g/d.Com isto,
sugerem que a célula T, responsável
pela mediação da reação
granulomatosa, expressa
predominantemente receptor a/b.
O granuloma é a lesão patológica
primária da sarcoidose. A fibrose
resultante da produção de matriz rica
em colágeno através da ativação de
fibroblastos é parte fundamental na
patologia da sarcoidose. A
proliferação fibroblástica tem como
marcador o procolágeno tipo III
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