|
neo crônico. Assim como na forma
aguda, sua apresentação é
poliarticular, com envolvimento de
joelhos, tornozelos, punhos e de
pequenas articulações das mãos e
pés. A doença monoarticular é rara. É
comum existirem períodos de
remissão e de recorrência dos
sintomas articulares. Dedos em
"salsicha", semelhantes aos
observados na artrite psoriásica e na
síndrome de Reiter, são resultados de
periostite e inflamação de tecidos
moles periarticulares.
Os achados radiológicos são:
aumento de partes moles,
osteoporose periarticular, discreta
diminuição do espaço articular e
lesões císticas. Existem descrições de
artropatia tipo Jaccoud(24).
Baqueteamento digital e
osteoartropatia hipertrófica podem
ser associados ao acometimento
pulmonar(25). A biópsia sinovial pode
ser valiosa quando o granuloma não
caseoso for encontrado.
Sarcoidose óssea
Lesões ósseas são relatadas em 1% a
13% dos pacientes(26,27). O
acometimento é mais evidente nos
pequenos ossos das mãos e pés. As
lesões são, em sua maior parte,
assintomáticas e variam em sua
característica radiológica, podendo
ser lesões cisto-símiles, lesões líticas
com reação periostal, anormalidades
reticulares e escleróticas, além de
lesões destrutivas. Fraturas ósseas
podem ocorrer. Há forte associação
de lesões ósseas com lesões cutâneas
crônicas. Acometimento do esqueleto
axial e ossos longos é raro.
Hall e cols.(28) recentemente
descreveram um caso de sarcoidose
no qual a sintomatologia inicial foi
lombalgia; radiologicamente,
observou-se lesão óssea tipo
esclerótica no pedículo de L3 e o
diagnóstico foi feito através da biópsia
óssea. É necessário lembrar que, na
presença de lesão esclerótica, devem
ser descartadas as possibilidades de
metástases osteoblásticas, mieloma
múltiplo esclerosante, além de
processos infiltrativos, como
mastocitose ou doença de Paget,
entre outros.
Sarcoidose associada a outras
doenças
Há relatos de sarcoidose em
pacientes com LES, doença (artrite)
reumatóide, síndrome de Sjögren e
espondiloartropatias. Se existe uma
real associação entre as duas
entidades ainda é motivo de
especulação. Cox e cols.(29)
descreveram a coexistência de sete
casos de esclerose sistêmica e
sarcoidose, e ressaltam que o
diagnóstico de sarcoidose sempre
deve ser cogitado quando se depara
com um paciente com esclerose
sistêmica que cursa com sintomas
pulmonares e linfadenopatia
intratorácica. Quando há a
coexistência das duas entidades, a
diferenciação clínica e radiológica do
acometimento pulmonar pode ser
difícil. Casos de sarcoidose em
pacientes com síndrome da
imunodeficiência também são
descritos(30).
|
Achados laboratoriais
Anemia com hemoglobina menor que
11 g% foi observada em 31 (22%) de
145 pacientes estudados por Mayock
e cols.(31). Leucopenia apareceu em
cerca de um terço dos pacientes(32).
Velocidade de hemossedimentação
(VHS) elevada ocorre em dois terços
dos pacientes(31), em geral, os
maiores valores ocorrem durante as
fases de atividade de doença e não
apresentam valor diagnóstico ou
prognóstico.
A enzima conversora de angiotensina
(ECA), cataliza a reação de
conversão de angiotensina I a
angiotensina II. Lieberman(33) foi
quem pela primeira vez reportou
aumento da atividade da ECA em
pacientes com sarcoidose;
encontrando em 83% dos pacientes
com doença ativa esta determinação
alterada.
A maior produção de 1,25(OH)2 D3
por tecidos extra-renais, como o
granuloma sarcóide, leva a um
aumento da absorção intestinal de
cálcio. Nos ossos ocorre reabsorção
e nos rins aumento da excreção do
cálcio. Nos pacientes que apresentam
distúrbio no metabolismo do cálcio, a
hipercalciúria é três vezes mais
frequente que a hipercalcemia(14), a
qual em geral é transitória na doença
subaguda e pode ser flutuante nos
casos crônicos, na dependência da
atividade da doença.
O teste de Kvein, no qual se injeta na
derme extrato de linfonodo ou baço
acometido por sarcoidose, tem sido
cada vez menos indicado em virtude
de outras técnicas diagnósticas,
como, por exemplo, lavado
broncoalveolar e biópsia
transbrônquica(34).
Planificação terapêutica
Remissão espontânea pode ocorrer.
Sarcoidose pulmonar progressiva,
acometimento ocular, do sistema
nervoso e de outros órgãos, em geral,
respondem bem ao uso de
corticosteróides(35). Observa-se
melhora nas provas de função
pulmonar, alívio dos sintomas
articulares, cutâneos e do sistema
nervoso, além de normalização da
hipercalcemia. Nos pacientes que
experimentam efeitos colaterais dos
corticóides, ou na ineficácia desta
terapêutica, antimaláricos, azatioprina,
clorambucil(36), ciclofosfamida e
ciclosporina(37,38) podem ser uma
opção, apesar de não existirem
estudos controlados com estas drogas
e sim relatos de casos anedotais.
Prednisona, na dose de 1 mg/kg/dia,
é a escolha inicial; doses mais baixas
podem ser insuficientes e aumentar
chance de recidivas. Na miosite
aguda e no envolvimento da
musculatura respiratória, o uso
fracionado de 60 mg/dia leva a
melhora da força muscular e das
provas de função respiratória(39).
Antiinflamatórios não hormonais são
terapia de es-
|