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INTRODUÇÃO
É consenso que as artrites crônicas da infância são um grupo heterogêneo de doenças, caracterizadas por sinovite crônica, de causa desconhecida, na sua maior parte diferente da artrite reumatóide do adulto, constituindo as patologias reumáticas crônicas inflamatórias mais freqüentes desta faixa etária.
Sua nomenclatura e classificação tem sido objeto de controvérsias e debates ao longo das últimas décadas.
Artrite crônica juvenil (ACJ) foi o termo cunhado, em 1977, por membros do EULAR (Liga Européia Contra Reumatismo)(1) para descrever este grupo heterogêneo de artrites idiopáticas que ocorrem antes dos 16 anos de idade. No mesmo ano, a Associação Americana de Reumatologia (ARA), atualmente Colégio Americano de Reumatologia (ACR), adotou o termo artrite reumatóide juvenil (ARJ) para este mesmo grupo de doenças (2). Estes dois termos são ainda amplamente utilizados na literatura.
Definição e classificação americanas eram ligeiramente diferentes da européia, sendo o principal ponto de discordância o uso do termo reumatóide, visto que menos de 10% dos pacientes infantis são fator reumatóide positivos. A classificação da EULAR exigia que a artrite tivesse um tempo mínimo de três meses de duração e incluía neste conceito as espondiloartropatias (Tabelas 1 e 2). Estas discrepâncias dificultaram a avaliação dos resultados dos estudos epidemiológicos, as pesquisas imunogenéticas e, principalmente, os avanços terapêuticos neste setor.
Na última década, entretanto, houve uma convergência de opiniões de especialistas e uma força tarefa internacional foi estabelecida pela ILAR (Liga Internacional contra o Reumatismo) para unificar nomenclatura e classificação das artrites crônicas da infância. Em 1994, em Santiago do Chile, houve o primeiro encontro de um grupo internacional de reumatologistas pediátricos(3), onde foram propostos novos critérios, posteriormente modificados, num segundo encontro em Durban (África do Sul), em 1997(4).
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Sônia Maria Sawaya Hirschheimer
Médica Responsável pelo Setor de Reumatologia do Serviço de Pediatria do Hospital do Servidor Público Estadual "Francisco Morato de Oliveira" (HSPE-FMO).
A classificação mais recente(3,4) tenta reunir grupos homogêneos, de acordo com suas características de apresentação clínica inicial e a progressão da doença.
A nova classificação proposta (Tabela 3) foi anunciada sob a denominação de artrite idiopática juvenil (AIJ), em substituição aos termos ARJ e ACJ, definida como doença de início antes dos 16 anos de idade, caracterizada por artrite de causa desconhecida, com evolução persistente mínima de seis semanas, descartando-se
| Tabela 1 - Critérios para o diagnóstico e classificação da artrite reumatóide juvenil, de acordo com a "American Rheumatism Association" (ARA -1977) |
| 1. Idade de início até 16 anos. |
| 2. Presença de artrite em pelo menos uma articulação. |
| 3. Duração mínima da artrite de 6 semanas. |
| 4. Tipo de início de acordo com as manifestações nos primeiros 6 meses: |
| Pauciarticular - £ 4 articulações; |
| Poliarticular - ³ 5 articulações; |
| Sistêmico - febre + "rash" cutâneo + serosite + hepato- esplenomegalia + linfadenopatia + artrite. |
| 5. Exclusão de outras causas de artrite crônica. |
| Tabela 2 - Critérios para o diagnóstico da artrite crônica juvenil, de acordo com a "European League Against Rheumatism" (EULAR-1977) |
| 1. Início da doença até 16 anos de idade. |
| 2. Duração mínima de 3 meses. |
| 3. Classificação de acordo com o início: |
| Doença sistêmica; |
| Poliarticular com fator reumatóide positivo = artrite reumatóide juvenil; |
| Poliarticular com fator reumatóide negativo; |
| Pauciarticular (£ 4 articulações); |
| Espondiloartropatias |
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