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Elementos básicos de diagnóstico da Artrites crônicas da infância

Tabela 3 - Proposta de classificação das artrite idiopáticas juvenis (Durban, 1997)
Artrite sistêmica
Poliartrite com fator reumatóide positivo
Poliartrite com fator reumatóide negativo
Oligoartrite persistente
Oligoartrite estendida
Artrite relacionada com entesite
Artrite psoriática
Outras artrites: (não encaixa em outra categoria ou encaixa em mais de uma categoria)


outros diagnósticos (Petty,98). Esta denominação não se refere a uma única doença, mas a um grupo de doenças no qual é fundamental a presença de artrite crônica, sendo que algumas delas somente poderão ser classificadas corretamente na idade adulta(5).
    O grande objetivo da Liga Internacional foi uma proposta de classificação universalmente aceita, sendo, portanto, necessário comprovar sua aplicabilidade em grupos populacionais e étnicos diferentes do mundo.
    No nosso meio, o Comitê da Sociedade de Pediatria de São Paulo realizou, em 1996, um estudo multicêntrico(6), reunindo 290 casos de ARJ, com a finalidade de reclassificar estes pacientes, de acordo com a nova proposta da ILAR. Foi verificado que 94% das crianças preencheram os requisitos. Na Argentina, outro estudo, com 140 crianças, conseguiu a reclassificação em 96,5% dos casos(7).

EPIDEMIOLOGIA

    São escassos os estudos da artrite crônica da criança com metodologia e dimensões apropriadas.
    Diversos estudos realizados no Reino Unido, Finlândia, Estados Unidos e Suécia apontam para incidência anual (casos novos/ano) entre 9 e 18/100.000 crianças abaixo de 16 anos(8,9)(10), bem como casos agrupados em uma determinada área atribuíveis a uma epidemia de infuenza(11). No Brasil não existem estudos epidemiológicos sobre o assunto e os números disponíveis traduzem basicamente a experiência isolada dos serviços de referência.

HISTÓRICO

As primeiras referências sobre artrite crônica na infância são do século XIX. Em 1889, o médico brasileiro, dr. Moncorvo, relatou em sua tese, na França, oito casos de artrite crônica em crianças, porém foi a clássica descrição do pediatra inglês Sir George F. Still, em 1896(12), que, ao analisar 22 pacientes com artrite crônica, descreveu as manifestações extra-articulares e enfatizou as diferenças entre a artrite crônica na criança e a no adulto.

ETIOPATOGENIA

As artrites idiopáticas juvenis, nos seus variados subgrupos, compreendem um grupo heterogêneo de doenças, portanto a etiologia é, provavelmente, múltipla e os mecanismos patogênicos variados(13,14). Os conhecimentos sobre a etiologia precisa que desencadeia o processo auto-imune e os mecanismos patogênicos iniciais são ainda vagos. Dentre os fatores desencadeantes destacam-se infecções, traumas, alterações imunológicas e estresse.
Infecções podem causar, freqüentemente, artrite na criança. Esses quadros são, geralmente, autolimitados, porém, em alguns casos, podem evoluir de maneira crônica. Persistência do vírus da rubéola foi demonstrado em sinóvia e sangue periférico de crianças com artrite crônica(15). Outros patógenos potenciais já foram implicados, como parvovírus B19, influenza, coxsackie e Epstein-Barr(11,16).
Traumas emocionais ou físicos(17) podem estar envolvidos na patogenia das artrites crônicas, possivelmente por alteração do sistema imune. Nem sempre é possível detectar se o estresse emocional precedeu ou foi conseqüência da doença.
Progressos na genética molecular permitiram a demonstração de associações genéticas evidentes em vários grupos juvenis de artrite crônica.
A região do genoma mais intensamente estudada é o MHC ou complexo maior de histocompatibilidade. Muitos produtos deste grande grupo de genes estão envolvidos no processamento e apresentação de antígenos. Vários estudos(18,19) têm revelado freqüência maior que a esperada de HLADR, alelos DRB1*0801 e *1401 na forma poliarticular; DRB1*0101 e 0801 na doença oligoarticular de início tardio e diversos alelos HLA A2, DRB1*0801, 1101 e 1301 e DPB1*0201 na artrite oligoarticular de início precoce.
Algumas associações são idênticas à doença correspondente do adulto, como na forte associação do HLAB27 com espondiloartropatia(20) e HLA DRB1*0401 com poliartrite FR positiva (21). Expressão aumentada do



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