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 • Revista de    Reumatologia
Considerações básicas sobre a utilização de corticosteróides (CEs) em enfermidades reumáticas

  •     Lembrar os principais cuidados para se evitar os riscos de infecções que podem surgir; solicite exame parasitológico de fezes antes do início da medicação para evitar complicações com parasitoses intestinais e, em particular, com a estrongiloidíase;
  •     Não esquecer de que o peso inicial e a pressão arterial devem ser acompanhados, assim como a determinação periódica da glicemia em jejum;
  •     Utilizar a menor dose possível para suprimir a atividade da enfermidade diagnosticada, preferindo doses únicas (se possível), diárias e pela manhã (exemplo, prednisolona < 7,5 mg/dia), pelo menor tempo possível (< 6 meses);
  •     Preparações com vida-média mais curta, como o deflazacort, podem ser mais interessantes em crianças (inibem menos o crescimento estatural) e como poupadoras da perda de massa óssea;
  •     Administração em regime de dias alternados pode ser úteis, principalmente em crianças, embora não tenha sido demonstrada que possa prevenir a perda de massa óssea. No entanto, achamos interessante comentar que, o controle terapêutico de diversas doenças difusas no e do tecido conjuntivo não responde adequadamente, nas fases mais ativas, com o esquema de dias alternados; deste modo acreditamos ser mais eficiente a utilização diária e, algumas vezes, em doses fracionadas durante o dia;
  •     · Reduzir a ingestão de sódio para menos de 3,0 g/dia; orientar para a reposição de cálcio e de potássio;
  •     Monitorizar e combater a perda de massa óssea com determinação periódica (cada 6 meses) da densitometria óssea e com medidas gerais profiláticas (reposição hormonal, cálcio, vitamina D etc.), ao se evitar o aparecimento de osteoporose, na corticoterapia crônica;

  •     Em situações clínicas graves que necessitam CEs em doses altas diárias, a utilização de pulsoterapia (doses de 0,5-1,0 g de metilprednisolona, por via endovenosa) têm sido mais útil, clinicamente, seja pela ação radical mais rápida, seja pela diminuição dos efeitos colaterais, embora alguns especialistas achem que o risco é maior;
  •     · Em doenças reumáticas com envolvimento imunopatológico e que necessitam doses suprafisiológicas de CEs, por longos períodos, associem, se indicados, fármacos "poupadores" destes esteróides, como, por exemplo, os imunodepressores.
  •     A Tabela 1 mostra as principais enfermidades reumáticas que, freqüentemente, necessitam de CEs.

    Regimes (modalidades) terapêuticos

        A grande variedade de indicações clínicas, de contexto multidisciplinar, e as múltiplas preparações de CEs em diferentes modalidades terapêuticas torna indispensável a experiência e a "arte" médica na responsabilidade da prescrição destes potentes fármacos antiinflamatórios hormonais. No primeiro fascículo desta série, descrevemos as características farmacocinéticas dos principais produtos sintéticos, assim como a correlação de equivalência das doses entre os mesmos.
        Embora hajam diferentes estratégias para o seu emprego, há necessidade do médico estar sempre atento quanto as suas vidas-médias; em geral, podemos dizer que o aumento da dose total diária e seu fracionamento nas 24 horas do dia, pode aumentar a capacidade de supressão da reação inflamatória com resposta clínica benéfica mais rápida, apesar do risco de efeitos colaterais aumentados(7,12,13,14). Assim, podemos considerar que, doses fracionadas várias vezes ao dia são mais eficientes

  • Tabela 1 - Principais patologias reumáticas onde os CEs são indicados, por vias: oral, intramuscular, intravenosa, intra-articular ou localmente em tecidos moles periarticulares
    Doença (febre) reumática
    Doença (artrite) reumatóide
    Lúpus eritematoso sistêmico
    Dermatopolimiosites
    Esclerose sistêmica progressiva (fases mais exsudativas)
    Doença mista do tecido conjuntivo
    Síndrome de Sjögren
    Artrite crônica juvenil (formas mais sistêmicas)
    Espondiloartropatias seronegativas (fases mais inflamatórias e sistêmicas)
    Vasculites sistêmicas: poliarterite nodosa, poliarterite microscópica, granulomatose de Wegener, angite granulomatosa alérgica de Churg-Strauss, crioglobulinemias, arterites de células gigantes (arterite temporal, arterite de Takayasu, entre outras)
    Polimialgia reumática
    Supressão de manifestações inflamatórias agudas ou crônicas, localizadas e não infecciosas: sinovites, comprometimento de estruturas moles periarticulares - bursites, tenossinovites etc.

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