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Infiltrações articulares com corticosteróides e suas contradições (riscos e benefícios)
Procedimentos que consideramos valiosos, quando bem indicados e corretamente realizados, as infiltrações articulares com sais de depósito de corticosteróides de ação lenta, em patologias agudas ou crônicas, continuam polemizando discussões acadêmicas sobre seus riscos e seus benefícios.
Tudo começou com Hollander e cols.(1) que, há cerca de 50 anos, fizeram as primeiras infiltrações com suspensões microcristalinas de acetato de hidrocortisona em articulações humanas inflamadas, utilizando como controle acetato de cortisona. Rápido controle dos sinais e sintomas inflamatórios locais, durando cerca de seis dias, em articulações reumatóides foi observado sem sinais sugestivos de hipercortisonismo sistêmico, naqueles que receberam o composto de hidrocortisona. O que mais se desejava era o efeito antiinflamatório máximo no local infiltrado e mínimos efeitos sistêmicos da toxicidade esteróide.
A utilização de compostos de corticosteróides hidrossolúveis não mostram, por sua vez, vantagens sobre a utilização destes fármacos por via oral ou por qualquer outra via parenteral. Inicialmente, estas injeções eram consideradas relativamente seguras, paliativas, transitórias e auxiliares no tratamento de uma série de afecções articulares, incluindo a osteoartrose(3). Posteriormente, estudos experimentais, mostraram que também suprimiam a síntese de proteínas pelos condrócitos, em cartilagens de articulações infiltradas; o aparecimento de articulações Charcot-símiles foi observado em pacientes e em coelhos injetados repetidamente, através de investigações experimentais. Rupturas ligamentares e tendíneas ocorreram, em algumas ocasiões, após injeções locais de cristais de corticosteróides. Atrofias da pele e do tecido celular subcutâneo, ao lado de calcinose, começaram a ser descritas. Como em todos esquemas terapêuticos há sempre um lado saudável e outro negativo ou arriscado.
Em raras ocasiões, crises de insuficiência de supra-renais podem ocorrer semanas ou meses após a infiltração com corticosteróides, assim como alterações cushingóides podem ser observadas nalguns enfermos que receberam doses altas de soluções microcristalinas de corticosteróides em múltiplas articulações.
Progressivamente, cristais esterificados de corticosteróides menos solúveis foram sintetizados e, assim, surgiu a hexacetonida de triamcinolona considerada a molécula de menor solubilidade. Um estudo controlado com este composto foi realizado em 1972, o qual resultou em sua aprovação pelo FDA(2); estruturas acometidas pela doença reumatóide, da mão e do punho, foram infiltradas com hexacetonida de triamcinolona, tendo o lado oposto como controle. O lado tratado era imobilizado por uma órtese; 88% das estruturas injetadas não voltaram a apresentar sinais inflamatórios até 22 meses de seguimento posterior as infiltrações e as lesões erosivas eram muito menos frequentes, assim como o estado funcional era muito mais preservado.
Resultados obtidos noutros estudos mostravam respostas satisfatórias para os membros superiores, mas não tão favoráveis naquelas articulações de membros inferiores. Nestas, as injeções tinham necessidade de ser repetidas, em particular, nos joelhos.
Completa remissão, com duração mínima de seis meses, foi observada em 246 de pelo menos 300 injeções (82%) em articulações de 72 crianças com patologias inflamatórias sinoviais(5).
O tamanho destes cristais pode desencadear uma reação inflamatória aguda "reação pós-injeção de corticosteróide" (4)
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