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Diagnóstico Diferencial das Cervicalgias

em 90% água e proteoglicanos, e outra periférica, denominada ânulo fibroso, formada por fibras resistentes dispostas em lamelas concêntricas. Tais estruturas são responsáveis por absorção de impacto e dispersão de energia mecânica, sendo importantes alvos de processos degenerativos.

A biomecânica da coluna cervical envolve a distribuição de forças sobre o disco intervertebral, sendo que a região do ânulo fibroso é a responsável pela recepção de carga, distribuindo posteriormente para o núcleo pulposo. Durante o processo de envelhecimento, ocorre uma redução da quantidade de água do núcleo pulposo e uma diminuição na capacidade de embebição do disco, associado a um aumento do número de fibras colágenas, determinando uma menor elasticidade e compressibilidade. Tais alterações tornam o ânulo fibroso suscetível a rupturas, podendo, através destes pontos, produzir herniações discais com compressões radiculares. O processo degenerativo se caracteriza ainda por formações osteofitárias, diminuição da altura do disco intervertebral e esclerose subcondral(7).

EXAME FÍSICO

O exame físico da coluna cervical compreende a inspeção, a palpação, a mobilização ativa e passiva e manobras especiais.

Durante a inspeção devemos observar se existem deformidades, alterações da lordose cervical, posições antálgicas, anormalidades posturais e sinais traumáticos. Durante a palpação devemos verificar a presença de pontos dolorosos, contratura da musculatura paravertebral, além de detectarmos adenomegalias ou massas cervicais; deve ser realizada como rotina no exame, a palpação da tireóide e dos pulsos carotídeos.

A mobilização ativa e passiva fornece a amplitude de movimento e o possível segmento cervical acometido. No eixo sagital, a flexão e a extensão atingem uma amplitude de aproximadamente 70 graus; a rotação compreende 90 graus e a lateralização 45 graus, sendo que estas amplitudes são reduzidas com a idade e na vigência de processos inflamatórios.

Durante o exame físico, a presença de dor irradiada para ombro, escápula e membro superior denota a necessidade de avaliação neurológica cuidadosa, com ênfase nas alterações de reflexos, presença de paresias ou parestesias e sua distribuição dermatomérica(8).

Testes especiais

- Teste de compressão: realizado com compressão progressiva da cabeça; ocasiona um aumento da dor cervical, devido ao estreitamento foraminal, aumento da pressão na raiz acometida, sobrecarga nas facetas articulares e sensibilização muscular.

- Teste de tração: promove um alívio da sintomatologia dolorosa, por conseqüente aumento do diâmetro foraminal, diminuição da compressão radicular e da tensão nas estruturas acometidas.
- Teste de Valsalva: ocasiona um aumento da pressão intratecal; auxílio diagnóstico nas lesões expansivas.
- Manobra de Spurling: extensão e rotação conjuntas da cabeça, com reprodução da dor radicular.
- Sinal de Lhermitte: presença de parestesias em mãos e/ou pernas, durante a flexão cervical forçada, sugestivo de mielopatia.
- Teste de Adson: palpação do pulso radial durante a abdução, extensão e rotação externa, com rotação homolateral do pescoço. A diminuição do pulso caracteriza um teste positivo, sugestivo de síndrome do desfiladeiro torácico.

DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL DAS CERVICALGIAS

Os pacientes apresentando queixas de dor cervical devem ser avaliados no sentido de descartarmos possibilidades de condições orgânicas subjacentes que podem ser responsáveis pelo seu quadro clínico,seja por meio de propedêutica clínica ou armada.

São inúmeros os sinais que têm como origem a patologia cervical, podendo estes, muitas vezes, serem inespecíficos, dificultando seu diagnóstico e ampliando o espectro de diagnóstico diferencial      (Tabela 1).

A presença de febre ou perda de peso são sugestivas de processo infeccioso ou tumoral. Pacientes apresentando dor que piora na posição deitada ou durante a noite podem apresentar um processo infiltrativo medular ou tumoração da coluna vertebral. A presença de rigidez matinal prolongada fala a favor das espondiloartropatias seronegativas.

Tabbela 1 - sinais criticos nas patologias da cabeça e pescoço
1.    Febre/calafrios
2.   Cefaléia intensa ou dores espasmódicas em salvas
3.   Distúrbios mentais
4.   Edema visível
5.   Aumento ganglionar
6.   Sangramento ouvidos, nariz ou bucal
7.   Distúrbios visuais, olfativos ou do paladar
8.   Parestesias ou fraqueza muscular
9.   Síndrome de Horner
10.  Dor axilar
11.  Isquemia de membros superiores
12.  Ausência de pulsos nos membros superiores
13.  Claudicação do braço
14.  Atrofia de membro superior

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