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As doenças difusas do tecido conjuntivo (DDTC) compreendem um grupo heterogêneo de patologias, mediadas imunologicamente, que afetam múltiplos órgãos, acometendo mulheres especialmente em idade de procriação. O comportamento dessas doenças durante a gravidez é muito variável, no entanto, resultados cada vez mais favoráveis estão sendo obtidos, graças a maior integração entre reumatologistas e obstetras.
Para o sucesso da gravidez é essencial que a doença materna esteja bem controlada antes da concepção e que permaneça assim durante o curso da gestação e também no puerpério imediato. Atualmente, muitas opções terapêuticas têm se mostrado eficazes para o controle das doenças reumáticas, embora freqüentemente haja a necessidade de utilização de medicamentos que possam comprometer tanto a mãe como o feto.
Neste artigo, serão revisadas, inicialmente e de modo sumário, algumas peculiaridades das principais DDTC e das suas principais intercorrências no ciclo grávido-puerperal; posteriormente, comentaremos os tratamentos mais empregados em cada uma delas, destacando a segurança materno-fetal e as principais conseqüências destas prescrições.
As mais freqüentes doenças do tecido conjuntivo estão relacionadas no Quadro 1.
Artrite reumatóide / doença reumatóide (DRe)
A artrite reumatóide, entre nós, preferencialmente designada de doença reumatóide, devido ao acometimento de outros órgãos, além das articulações, é uma
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Laura Nascimento Tavares
Médica Assistente do Serviço de Reumatologia do Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo "Francisco Morato de Oliveira" (HSPE-SP - "FMO").
José Carlos Mansur Szajubok
Médico encarregado da Enfermaria e preceptor de Ensino do Serviço de Reumatologia do HSPE-SP - "FMO".
Edgar Baldi Júnior
Sônia Maria A. A. Loduca Lima
Médicos Assistentes do Serviço de Reumatologia do HSPE-SP - "FMO".
Wiliam Habib Chahade
Diretor do Serviço de Reumatologia do HSPE-SP - "FMO".
doença inflamatória, crônica e de causa desconhecida. Geralmente tem curso insidioso e evolução clínica altamente variável.
Seu pico de incidência é maior por volta da quarta e quinta décadas e a prevalência entre as mulheres é duas vezes e meia maior que entre os homens.
Apesar do fator reumatóide estar presente em 85% dos pacientes, nenhum teste laboratorial, histológico ou radiológico isolado determina o diagnóstico de DRe, o qual é estabelecido pela associação de um conjunto de achados observados durante um determinado período de tempo.
O tratamento da DRe é constituído basicamente de terapia medicamentosa e de reabilitação clínica e/ou cirúrgica, para alívio dos sintomas e controle da doença, assim como das deformidades e incapacidades que possam ocorrer. Os principais fármacos utilizados são anti-inflamatórios não hormonais, corticosteróides, antimaláricos, sais de ouro, sulfassalazina e agentes imunodepressores ou imunomoduladores, tais como metotrexate, azatioprina, ciclosporina A, entre outros. Estes medicamentos podem ser usados de forma isolada ou associados, dependendo da gravidade e da necessidade de cada caso.
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