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Espondiloartropatias soronegativas

Espondiloartropatias soronegativas

O termo espondiloartropatias soronegativas ou síndromes espondilíticas, refere-se a um grupo de enfermidades que compartilham características em comum, entre elas a ocorrência de processo inflamatório na coluna vertebral, em articulações periféricas e tecidos peri-articulares, em especial as ênteses. São consideradas desordens multissistêmicas, nas quais além do envolvimento osteoarticulomuscular, ocorrem manifestações extra-articulares como uveíte anterior, lesões mucocutâneas, fibrose pulmonar, anormalidades do arco aórtico e distúrbios de condução. A característica laboratorial marcante das espondiloartropatias soronegativas é a ausência do fator reumatóide e de auto-anticorpos. Apresentam forte associação com o antígeno leucocitário humano – HLA-B27.
São chamadas de espondiloartropatias soronegativas (EASn): a espondilite anquilosante (protótipo das espondiloartropatias), a síndrome de Reiter e outras artrites reativas, a artropatia psoriásica, a espondilite relacionada as doenças inflamatórias intestinais (enteroartropatias), a síndrome SAPHO (sinovite, acne, pustulose, hiperostose e osteomielite) e uma variedade de outras condições ainda não bem definidas que podem ser chamadas de espondiloartropatias indiferenciadas. Neste capítulo destacaremos aspectos epidemiológicos, etiopatogênicos, características clínicas, radiológicas e prognóstico da espondilite anquilosante, da artropatia psoriásica, das enteroartropatias, da síndrome SAPHO e das formas indiferenciadas. As artrites reativas e a S. de Reiter foram tema da revista anterior [Ximenes, AC - Temas Reumat Clin, 1(2):32-37, 2000].
Como citado previamente, o gene HLA-B27 está fortemente associado com a suscetibilidade a estas doenças, porém a intensidade da associação sofre variação de acordo com a espodiloartropatia, grupos raciais e étnicos(1). As EASn apresentam mecanismo etiopatogênico não totalmente compreendido, mas certamente relacionado a presença do HLA-B27. Grande parte do conhecimento atual sobre a etiopatogênese das EASn é resultado de estudos focados na interação entre hospedeiro-bactéria-HLA-B27, decorrentes da observação das artrites reativas a processos infecciosos, principalmente os bacterianos.

Sônia Maria A. Anti Loduca Lima
Médica assistente do Serviço de Reumatologia do Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo "Francisco Morato de Oliveira"
(HSPE-SP - "FMO") e auxiliar de Ensino da Disciplina de Reumatologia da Faculdade de Medicina do ABC.

José Mauro Carneiro Fernandes
Médico residente (R3) do Serviço de Reumatologia do HSPE-SP - "FMO".

Carlos Gomes Garcia Betting
Médico residente (R2) do Serviço de Reumatologia do HSPE-SP - "FMO".

Wiliam Habib Chahade
Diretor do Serviço de Reumatologia do HSPE-SP - "FMO

Possíveis teorias que tentam explicar esta interação são(2):
1. Persistência bacteriana - o HLA-B27 favoreceria a persistência de bactérias e prejudicaria as defesas antibacterianas;
2. Peptídeos artritogênicos - peptídeos intracelulares bacterianos, capazes de desencadear reação cruzada, são apresentados pelo HLA-B27 e desencadeiam auto-imunidade;
3. "Altered self" - o HLA-B27 contém um resíduo cisteína altamente reativo na posição 69 do peptídeo de ligação encaixe, que poderia facilmente formar uma ligação disulfídica com a homocisteína. Com a modificação, o antígeno HLA-B27 é reconhecido pelos linfócitos T citotóxicos como estranho;
4. HLA-B27 como auto-antígeno - peptídeos derivados do HLA-B27 promovem reação cruzada com peptídeos bacterianos, são apresentados para antígenos HLA de classe II e desencadeiam auto-imunidade.
As hipóteses apresentadas não são de ocorrência excludente, podendo participar simultaneamente.
A prevalência do HLA-B27 varia de acordo com a população estudada, conforme demonstra a Tabela 1.
Nem sempre é possível diferenciar de maneira objetiva as diversas formas de EASn, principalmente nos estágios precoces, visto que estas doenças compartilham muitas características clínicas.
Para melhor identificação das EASn em fases ainda


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