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O lúpus eritematoso sistêmico (LES) é uma doença auto-imune, de interesse multidisciplinar, que afeta primariamente jovens do sexo feminino, com pico de incidência entre os 15 e os 40 anos de idade, e é 5 a 10 vezes mais comum em mulheres que em homens(1,2,3). Nas crianças e nos idosos a relação mulher:homem cai para 2:1. Na população geral, o LES afeta aproximadamente 1 caso em 2.000 a 10.000 habitantes. Sua distribuição é universal, entretanto dependente de fatores étnicos e ambientais, sendo assim parece ter maior incidência em raças não caucasóides. Sua etiologia permanece obscura. Em relação a sua fisiopatologia, possivelmente representa o resultado da interação de múltiplos fatores, entre os quais merecem destaque a ação dos fatores ambientais em indivíduos geneticamente predispostos (Tabela 1).
Classificação(1,4,5)
O LES é uma doença de evolução aguda, subaguda ou crônica, de curso e prognóstico variáveis e com quadro clínico pleomórfico, caracterizado por períodos de atividade e remissão, nos quais as diversas manifestações clínicas podem aparecer concomitantemente ou sucessivamente ao longo da doença.
| Tabela 1 - Fatores implicados na fisiopatologia do LES |
| Fatores |
Evidências |
| Genéticos |
Agregação familial Ocorrência em 25%-50% de gêmeos monozigóticos Associação com HLA-DR2 e HLA-DR3 Deficiência hereditária de componentes do complemento |
| Ambientais |
Exposição a luz solar Estresse Fármacos Agentes infecciosos |
| Hormonais |
Predomínio em mulheres jovens Exacerbação da doença na gravidez Incidência maior na puberdade após a menarca Níveis aumentados de prolactina |
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José Mauro Carneiro Fernandes
Gertrudes Maria de Medeiros Nóbrega
Médicos residentes (R3) do Serviço de Reumatologia do Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo "Francisco Morato de Oliveira" (HSPE-SP - "FMO").
Alessandra de Sousa Braz
Ex-médica residente do Serviço de Reumatologia do HSPE-SP - "FMO".
Cidalia Maria Rodrigues Martinho
Médica assistente do Serviço de Reumatologia do HSPE-SP - "FMO".
Rina Dalva Neubarth Giorgi
Médica chefe da Seção de Diagnóstico e de Terapêutica e preceptora de Ensino do Serviço de Reumatologia do HSPE-SP - "FMO".
Wiliam Habib Chahade
Diretor do Serviço de Reumatologia do HSPE-SP - "FMO".
Pensando nisso, o Colégio Americano de Reumatologia (ACR) comparou a incidência de manifestações clínicas e laboratorias de diversos centros de referência e organizou os critérios de classificação do LES. Estes critérios são universalmente utilizados e estão descritos na Tabela 2. O paciente será classificado como portador de LES quando apresentar no mínimo 4 dos 11 critérios.
| Tabela 2 - Critérios para o diagnóstico de LES (ACR) |
| 1. "Rash" malar
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| 2. Lesão discóide
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| 3. Fotossensibilidade
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| 4. Úlceras orais
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| 5. Artrite não erosiva
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| 5. Artrite não erosiva |
| 6. Serosite (pleural, pericárdica e/ou peritoneal) |
| 7. Glomerulonefrite |
| 8. Desordem neurológica (convulsão ou psicose) |
| 9. Achados hematológicos (anemia hemolítica, eucopenia, linfopenia ou trombocitopenia) |
| 10. Anormalidade imunológica (presença de células LE ou anti-DNAn ou anti-Sm ou VDRL falso-positivo) |
| 11. Anticorpo antinuclear positivo |
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