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Considerações básicas
O diabetes mellitus (DM) é a endocrinopatia universal mais comum, sendo considerada uma desordem metabólica determinada geneticamente, na qual há deficiência absoluta ou relativa de insulina. No Brasil, existem cerca de 5 milhões de diabéticos, sendo que uma grande parte, desconhece estar acometido.
Atualmente a classificação do diabetes não possui mais os termos insulino-dependente e não insulino-dependente. O diabetes tipo I (DM tipo I), se caracteriza pela destruição das células b-pancreáticas, gerando uma deficiência absoluta de insulina pancreática que, potencialmente, pode desencadear a cetose. A DM tipo I ocorre principalmente na infância e na adolescência, mas pode ocorrer também no adulto.
Os pacientes com DM tipo II apresentam resistência a insulina e uma deficiência relativa na sua secreção. A DM tipo II é comum, representando 80% a 90% de todos os casos de DM.
Diversas doenças do aparelho osteoartículo-muscular podem ocorrer nos indivíduos com DM, podendo ser didaticamente separadas naquelas relacionadas com o aumento do depósito de colágeno, desecadeando limitação do movimento articular, e naquelas relacionadas às neuropatias e outras consideradas miscelâneas.
Síndromes relacionadas ao aumento do depósito de colágeno
O acúmulo anormal de colágeno na pele e tendões de pacientes com DM é o fator principal que leva a limitação dos movimentos articulares.
A glicosilação não enzimática de proteínas (colágeno) e seu depósito em excesso têm sido uma das explicações propostas para o desenvolvimento desta limitação. A glicosilação leva a um aumento do "cross-link" das moléculas de colágeno e altera as propriedades normais da proteína. O processo de isquemia crônica também pode gerar reação de fibrose, contribuindo para o espessamento tecidual(1).
Alguns estudos demonstram que o colágeno de
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Sônia Maria A. A. Loduca Lima
Médica assistente e ex-médica residente do Serviço de Reumatologia do Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo "Francisco Morato de Oliveira" (HSPE-FMO). Auxiliar de Ensino da Disciplina de Reumatologia da Faculdade de Medicina do ABC.
Gertrudes Maria de Medeiros Nóbrega
Médica assistente e ex-médica residente do Serviço de Reumatologia do HSPE-FMO. Mestranda do Curso de Pós-graduação em Clínica Médica do HSPE-FMO.
Wiliam Habib Chahade
Diretor do Serviço de Reumatologia do HSPE-FMO.
amostras de pele e tendões de pacientes jovens com DM é rígido, de modo semelhante ao colágeno de controles normais com idades entre 50 e 65 anos. Este "envelhecimento" precoce dos tecidos reflete a expressão exagerada dos mecanismos de reparo tecidual normal, e isto pode ser caracterizado em quatro fases evolutivas: 1- lesão tecidual inicial; 2- inflamação secundária; 3- proliferação tecidual; 4- remodelação tecidual. Após a lesão inicial há exposição de colágenos tipos I e III, que promovem a adesão e a agregação plaquetárias. Também ocorre liberação de citocinas(2,3).
Não conhecemos por que somente parte dos pacientes com DM desenvolvem síndromes fibrosantes.
Contratura de Dupuytren
A contratura de Dupuytren, inicialmente descrita por Felix Plater, em 1614, e, posteriormente, melhor detalhada por Baron G. Dupuytren, é caracterizada por fibrose nodular da fáscia palmar e contraturas em flexão dos dedos. É mais comum em homens de meia-idade e idosos, podendo ser associada ao alcoolismo, a fatores genéticos e certas doenças inflamatórias crônicas e metabólicas, como no DM. Inicia-se como um nódulo palmar sem contratura, evoluindo progressivamente para cordões e bandas espessadas da fáscia. Nos estágios avançados, nota-se contraturas e atrofia dos músculos das mãos e até mesmo de antebraços. Os pacientes normalmente referem diminuição da mobilidade dos de
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