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Elementos básicos de diagnóstico da VHC


    têm fator antinuclear (FAN) positivo, 76% têm fator reumatóide (FRe) positivo e 40% têm crioglobulinemia(8). Anticorpos antitireoideano, anti-músculo liso, anti-microssomal e antimitocondrial também estão presentes em alguns pacientes infectados. A presença desses anticorpos não está necessariamente associada com sintomatologia reumática e pode, em algumas situações, provocar interpretações incorretas. Nestes casos uma análise criteriosa, ao lado da experiência clínica, são de extrema importância.
    As diferentes respostas imunológicas para hepatite viral crônica são dependentes dos antígenos de histocompatibilidade (HLA). Pacientes com HLA-DR3 têm três vezes mais chance de desenvolver doença hepática grave do que aqueles com HLA-DR4. Em contraste, estes têm cinco vezes mais chances de desenvolver doenças imunológicas concomitantemente. O HLA-DR4 está relacionado à maior prevalência de crioglobulinemia e FAN positivo(9).
    Em função da exuberante resposta imune, a associação da infecção pelo VHC com manifestações extra-hepáticas tem sido fortemente sugerida e estão resumidas no Quadro 1(10). Neste artigo serão discutidas as principais manifestações reumáticas que estão associadas à infecção pelo VHC. É ainda discutido se essas manifestações




resultam simplesmente da maior chance de associação das doenças ou se o VHC predispõem ou causa doenças reumáticas específicas(10).

Crioglobulinemia

    Crioglobulinas são imunoglobulinas que possuem a característica de sofrer precipitação reversível quando expostas a temperaturas inferiores a 37o C. São conhecidos três tipos de crioglobulinas. As crioglobulinas do tipo I são proteínas monoclonais, geralmente da classe IgM e estão associadas com doenças neoplásicas da série hematológica. Correspondem a 10% das criglobulinas(11).
    Os outros dois tipos são conhecidos como crioglobulinas mistas, outrora ditas essenciais, porque se compõem de aglomerados de imunoglobulinas de diferentes classes. As do tipo II representam 60% das crioglobulinas e revelam um componente monoclonal com atividade de fator reumatóide, preponderantemente da classe IgM, e outro componente policlonal da classe IgG. O tipo II está associado a malignidades hematológicas e linfoproliferativas, infecções crônicas e doenças auto-imunes, tais como lúpus eritematoso sistêmico e doença reumatóide. As crioglobulinas do tipo III são imunoglobulinas policlonais e correspondem a aproximadamente 30% das crioglobulinas(11).
    A associação entre a infecção pelo VHC e a síndrome de crioglobulinemia mista do tipo II está firmemente estabelecida(3,10,11,12). A síndrome de crioglobulinemia mista do tipo II se caracteriza clinicamente pela presença de poliartrite ou poliartralgias, vasculite leucocitoclástica cutânea, glomerulonefrite, acompanhadas de crioglobulinas séricas, além de hipocomplementemia. Fadiga, neuropatia periférica, doença pulmonar e outras



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