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INTRODUÇÃO
Entre os acometimentos mais comuns na prática reumatológica, o comprometimento poliarticular constitui quase sempre um desafio diagnóstico. A maioria das patologias sistêmicas, do campo de concentração da Reumatologia, apresenta em sua evolução, quer de forma aguda, subaguda ou crônica, manifestação poliarticular.
Emprega-se a denominação "artrite" quando uma articulação diartrodial é acometida por processo inflamatório, independentemente de seu mecanismo patogênico. Geralmente o sítio primário da agressão inflamatória é a membrana sinovial, levando a uma "sinovite"; contudo, outras estruturas periarticulares, como ênteses, tendões e bursas, poderão estar comprometidas, sofrendo injúrias inflamatórias.
A inflamação articular geralmente se manifesta por um quadro doloroso de intensidade variável, com ou sem limitação funcional, além de edema ou aumento de volume, que pode ser por derrame intra-articular ou por tumefação das estruturas articulares, acompanhados de aumento de temperatura e de rubor das articulações acometidas.
As manifestações podem ser agudas (duração menor que seis semanas), subagudas ou crônicas (evolução prolongada de mais de três meses). Empregamos a denominação "poliartrite" quando ocorre inflamação de quatro ou mais articulações sinoviais, seja de modo simultâneo, aditivo ou migratório. A anamnese detalhada e o exame físico adequado, ao demonstrarem as características da poliartrite e a eventual presença de manifestações extra-articulares, são fundamentais para o diagnóstico(1).
Sítio anatômico de origem da dor
A primeira preocupação é localizar o sítio anatômico de origem da dor. Além da dor articular, podemos observar quadros de dor de origem muscular, neuropática e também vascular, e, deste modo, faz-se necessária a identificação precisa de sua origem topográfica.
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Paulo Domingos Parisi Júnior
Professor assistente, responsável pelo Curso de Reumatologia da Disciplina de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da Universidade de Alfenas - Minas Gerais. Ex-médico residente do Serviço de Reumatologia do Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo "Francisco Morato de Oliveira" (HSPE-FMO). Mestrando do Curso de Pós-Graduação em Clínica Médica do HSPE-FMO.
Os comprometimentos articulares localizados, na maioria das vezes, têm uma causa identificável para sua ocorrência, tal como traumas, vícios posturais e/ou ocupacionais, entre outros.
A dor muscular tanto pode ser localizada como generalizada. As mialgias generalizadas podem estar associadas às doenças infecciosas, tóxicas, metabólicas ou às doenças inflamatórias musculares (polimiosites) e, nestes casos, são acompanhadas de fraquezas musculares variáveis, mais proeminente em musculatura proximal. Outra enfermidade que aqui deve ser lembrada é a polimialgia reumática, principalmente encontrada em idosos, às vezes associadas à arterite temporal ou de células gigantes.
A mialgia difusa pode caracterizar ainda um quadro de fibromialgia, quando, então, freqüentemente é acompanhada de componente psicossomático variável, geralmente depressivo, com distúrbios do sono, detectando-se, ao exame clínico, os clássicos pontos dolorosos.
A dor das neuropatias periféricas se caracteriza por ser descrita como em pontadas ou queimação, acompanhada de parestesias e alterações de sensibilidade.
As polineuropatias, muitas vezes, são classicamente descritas como tendo uma distribuição em "luvas e botas" e não apenas na topografia das articulações envolvidas, embora exista a participação de mediadores neurogênicos na inflamação articular.
A dor de origem vascular pode ser originada de comprometimento isquêmico arterial de uma extremidade ou de comprometimentos venosos, com ou sem estase.
A dor isquêmica, tipicamente descrita como "claudicação intermitente", freqüentemente é acompanhada de diminuição ou abolição de pulsos periféricos e de alterações tróficas da pele e dos fâneros.
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