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Elementos básicos de diagnóstico da Poliartrite

    Os quadros de dificuldade de retorno venoso se caracterizam por dores com sensação de peso ou cansaço, principalmente nos membros inferiores, que pioram após longos períodos em ortostase (piora no final do dia) e acompanham-se de edema do tipo gravitacional(2).

Artrite ou artralgia?

    Nos casos de dor articular é importante definir se o processo é puramente álgico _ artralgia _ ou se existem elementos inflamatórios detectáveis _ artrite.
    A poliartralgia é sintoma comum, porém inespecífico, e se caracteriza por presença de dor sem sinovite clínica.
    Geralmente as poliartralgias, cujos sintomas tem duração menor que seis semanas, representam condições benignas como as artralgias pós-virais ou que ocorrem após exercícios vigorosos. Normalmente, estes casos, requerem avaliação e acompanhamento limitados.
    Contudo a poliartralgia pode ser vista também como manifestação de doenças sistêmicas tais como as doenças difusas do tecido conjuntivo. Desta forma, existem situações em que, diante de um quadro de poliartralgia, justifica-se uma avaliação mais aprofundada e os parâmetros para tal seriam os seguintes(7):

  • Pacientes idosos;
  • Presença de sintomas constitucionais;
  • Sintomas relativos a outros órgãos ou sistemas;

  • Duração além de seis semanas.

    Roteiro diagnóstico

        Para a abordagem precisa de uma poliartrite, seja aguda ou crônica, é necessário estabelecer um roteiro diagnóstico básico, levando-se em consideração dados de história clínica, exame físico, presença ou não de manifestações sistêmicas e exames laboratoriais.

    História clínica
        Não devemos esquecer que a incidência de determinadas patologias articulares varia amplamente de acordo com o sexo e/ou a idade dos pacientes. Nas crianças observamos com maior freqüência a doença reumática e a artrite crônica juvenil, nos homens a espondilite anquilosante (adultos jovens) e a gota e nas mulheres a doença reumatóide e o lúpus eritematoso sistêmico.
        O conhecimento do modo de início também tem grande valor: início súbito nas poliartrites virais; insidioso na doença reumatóide; acompanhadas de poliartralgia e, posteriormente, monoarticulares fixas, nas formas sépticas.
        Alguns padrões de acometimento podem ser observados:
    • a. Aditivo: caracterizado por envolvimento progressivo das articulações sem que exista desaparecimento dos sintomas das previamente acometidas. A remissão da doença se faz por um desaparecimento seqüencial das manifestações clínicas;
      b. Migratório: caracterizado por uma evolução na qual o acometimento de uma nova articulação se acompanha do desaparecimento das manifestações na articulação previamente atingida;
      c. Intermitente: caracterizado por crises autolimitadas de poliartrite, as quais desaparecem sem seqüelas.

        É importante notar que os padrões descritos acima podem coexistir num mesmo paciente, porém, quando há predomínio de um deles, a apresentação clínica pode sugerir um diagnóstico específico.
        Assim, um padrão aditivo é visto na doença reumatóide, nas artrites reativas e na artropatia psoriásica; padrão migratório é encontrado na fase inicial de artrite gonocócica, doença reumática e artrite associada a endocardite bacteriana. O exemplo clássico de poliartrite intermitente é observado na febre familial do mediterrâneo(1).

    Exame físico
        Topograficamente, a articulação envolvida ou o fato do acometimento ser periférico ou axial pode constituir um sinal quase que patognomônico de certas doenças.
        Na doença reumatóide observamos sinovite simétrica de pequenas articulações das mãos (excluindo as interfalangeanas distais), punhos, cotovelos, joelhos, tornozelos e pés.
        O comprometimento das interfalangeanas distais sem sinovite sugere osteoartrose e quando acompanhado de sinovite, artrite psoriásica.
        Sinovite assimétrica dos joelhos e tornozelos com lombalgia inflamatória e entesites (epicondilite, tendinite do aquileu, fasciíte plantar bilateral) é indicativo das espondiloartropatias seronegativas.

    Manifestações extra-articulares

        A revisão detalhada dos sistemas à procura de envolvimento de outros órgãos pode ajudar a definir se determinada artrite é parte de uma doença sistêmica. Muitas vezes as manifestações extra-articulares associadas à artrite fornecem orientações decisivas para o diagnóstico definitivo da enfermidade.
        Abaixo descrevemos os acometimentos mais comuns em outros órgãos ou sistemas e as respectivas artropatias:
    a. Pele: envolvimento característico num grande número de patologias reumáticas:

    • Eritema em asa de borboleta: lúpus eritematoso sistêmico (LES);
    • Queratodermia blenorrágica: doença de Reiter;



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